Tempo
|

Grupo terrorista islâmico promete “erradicar” Cristianismo da Nigéria

14 mar, 2012 • AIS

Arcebispo diz que aumento da violência está ligado à Primavera Árabe, nomeadamente o saque de armas na Líbia.  

Grupo terrorista islâmico promete “erradicar” Cristianismo da Nigéria
Depois do atentado de domingo, contra uma Igreja, no preciso momento em que se celebrava a Eucaristia, aumentam os rumores de que se estará perante uma escalada de violência contra os cristãos na Nigéria.

Segundo um site de notícias nigeriano, o Bikya Masr, o grupo terrorista Boko Haram terá declarado guerra a todos os cristãos que vivem no Norte da Nigéria.

Jonathan Racho, que pertence a um grupo cristão de defesa dos direitos humanos, afirma que esta notícia é alarmante. “Os dados de que dispomos indicam que membros do Boko Haram declararam recentemente uma guerra aos cristãos no norte da Nigéria. O grupo prometeu erradicar os cristãos de certas áreas da Nigéria”.

Segundo Racho, “o representante do Boko Haram diz que o grupo irá lançar vários ataques cujos alvos são os cristãos”. Por sua vez, o Arcebispo de Abuja afirma que o atentado de domingo, contra a Igreja, faz parte de uma estratégia regional de terror.

A mesma opinião veio expressa num jornal local, o Nigerian Tribune. Segundo o periódico, o atentado terrorista, que causou pelo menos 11 vítimas mortais e mais de duas dezenas de feridos, foi orquestrado pela Al Qaeda no Maghreb islâmico.

O arcebispo de Abuja, John Olorunfemi Onaiyekan, em declarações à Agência Fides, não parece ter dúvidas sobre o que se está a passar no seu país em que os cristãos se tornaram no alvo a abater dos radicais islâmicos.

“Deve-se levar em consideração de que o norte da Nigéria, Chade e Mali estão unidos pelo mesmo deserto. Existe uma história de milhares de anos de contactos entre o norte da Nigéria e esses países. O deserto é atravessado por caravanas de camelos, agora também por camiões, que ligam a Nigéria setentrional até Marrocos, Argélia e Líbia”, explica.

“De facto, não existem fronteiras. Não me surpreenderia, portanto, que a Al Qaeda marque presença também na Nigéria. Com a desordem no Magreb e a situação incerta na Líbia, onde os arsenais do antigo regime foram saqueados, sabíamos que mais cedo ou mais tarde pagaríamos as consequências de tudo isso, mas não esperávamos uma situação assim tão trágica”, destaca ainda o arcebispo Onaiyekan.

O atentado de domingo poderia ter tido proporções mais trágicas se o suicida tivesse conseguido aproximar-se ainda mais o carro-bomba da Igreja onde se celebrava a missa.

Para o Arcebispo de Abuja, estes ataques não fazem sentido. “Os que cometem esses atentados não pensam de modo racional e, portanto, é difícil encontrar uma lógica. Pretender transformar com a violência a Nigéria num Estado completamente islâmico é uma pretensão absurda. Pergunto-me como se possa discutir com pessoas que raciocinam assim.”

O atentado continua a não ser reivindicado, mas as autoridades parecem atribuir a autoria ao grupo extremista islâmico Boko Haram. As autoridades continuam a investigar a autoria do atentado e, nas últimas horas, registaram-se diversas detenções de pessoas alegadamente ligadas a este grupo radical.