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Cardeal alerta para o perigo de a cultura perder a matriz cristã

11 mar, 2012

Terceira catequese de D. José Policarpo esta tarde na Sé Patriarcal de Lisboa.

Cardeal alerta para o perigo de a cultura perder a matriz cristã
Cardeal alerta para o perigo de a cultura perder a matriz cristã
Na catequese quaresmal deste Domingo, dedicada ao mundo da Cultura, D. José Policarpo apelou aos cristãos para que vivam a sério a sua fé e tenham uma intervenção na cultura enquanto sabedoria colectiva.

O Cardeal Patriarca de Lisboa alertou hoje para o perigo de a cultura perder a matriz cristã. Na catequese quaresmal deste domingo, dedicada ao mundo da Cultura, D. José Policarpo apelou aos cristãos que vivam a sério a sua fé e tenham uma intervenção na cultura enquanto sabedoria colectiva.

O bispo de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal começou por dizer que foi a fé cristã que deu um dado comum a todos os povos europeus depois da queda do Império Romano.

“A evangelização da Europa, depois da queda do Império Romano, é a primeira grande concretização de uma unidade de toda a Europa. Não foram os povos, nem as tribos, nem as campanhas militares. Foi o Evangelho, foi a fé cristã que deu um dado comum a todos esses povos”, afirmou o cardeal.

D. José Policarpo alertou em seguida para os perigos que esta evangelização corre nos dias de hoje. “Cautela! Em termos de cultura, nunca há nada definitivamente adquirido, exactamente porque a cultura é feita pela intervenção de diversos factores, entre os quais entram as nossas próprias atitudes pessoais. A cultura é uma realidade viva, mutável, está sempre sujeita a alterações e, para nós cristãos, a pior coisa que poderia acontecer à cultura de que somos herdeiros e que envolve a nossa vida comunitária e pessoal é que a cultura que herdámos dos nossos antepassados perca essa matriz cristã”, avisou.

O cardeal enunciou a verdade, a inteligência, a liberdade, a beleza e a fidelidade como elementos essenciais para uma verdadeira vivência cultural cristã.

Acrescentou depois a abertura à eternidade: “O cristianismo tem uma compreensão do homem, é visão do homem. O amor está no centro dessa visão, a busca continua do sentido da vida é um desafio; depois, ser cristão introduz imediatamente na visão da vida humana a relação com Deus, uma abertura à eternidade. Não temos aqui morada permanente. Somos caminheiros, somos peregrinos de uma outra pátria. Esta dimensão só entra na cultura – hoje, então, mais do que nunca – se as comunidades crentes a viverem”.

Para D. José Policarpo, é preciso uma intervenção cristã na cultura, como sabedoria colectiva, e essa intervenção é feita por todos “aqueles que vivem a sério a sua fé, na globalidade das suas expressões”. Para essa intervenção, “não é preciso ser doutor, é preciso ter aquele novo ardor do Santo Padre João Paulo II, que caracterizou a nova evangelização”.

Mas essa intervenção pode ser difícil e será tanto mais difícil quanto o mais ambiente cultural dominante perca a sua matriz cristã.