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"O mais difícil para quem pede é dar a cara"

09 mar, 2012

A Renascença constatou, em Évora e em Viseu, as dificuldades, no terreno, de quem ajuda os mais necessitados. Devido à crise, há menos doações. Entre os que mais precisam, muitas vezes há que aprender a ultrapassar a vergonha de pedir.

"O mais difícil para quem pede é dar a cara"

Os dias de crise, entre as inúmeras consequências, estão a prejudicar as doações às instituições que ajudam quem mais sofre. Em Viseu, por exemplo, as equipas do peditório anual da Cáritas Portuguesa revelam que as pessoas dão cada vez menos.

“Infelizmente, quem menos pode é quem mais ajuda”, conta Amélia Loureiro, de 60 anos, que decidiu doar dinheiro à Cáritas.

Maria de Lurdes, que é voluntária há mais de 20 anos em Viseu, onde ajuda quem procura apoio, não se recorda de um ano assim e refere que “o mais difícil para quem pede é dar a cara”. Em tempos de crise, “muitos estão desempregados” e “viram a cara, porque não querem falar”.

Mais a sul, Francisca do Carmo é voluntária em Évora e revela que é a vontade de ajudar que a move. "Dispor um pouco do nosso tempo não custa muito e faz bem a quem mais precisa”, diz . É mais uma missão que realiza de forma voluntária e que se vai traduzir no apoio a cerca de 60 famílias carenciadas inscritas na paróquia de Santo Antão, em Évora.

Margarida Jordão, uma responsável paroquial em Évora, explica que os casos de dificuldades estão a agravar-se. “Agora já começamos a ter mais gente nova [a pedir], porque são aqueles casos que agora acontece em que um [dos elementos de um casal] está desempregado, quando não estão os dois”, conta.

O grupo sócio caritativo de Évora conta com donativos da Fundação Eugénio de Almeida, da própria paróquia e de particulares. Na distribuição da mercearia, o Banco Alimentar contra a Fome dá também o seu contributo. As verbas são sobretudos usadas em “despesas de farmácia, água e luz” dos mais necessitados.