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China recusa visto a embaixadora americana pela liberdade religiosa

16 fev, 2012

Barack Obama criticado pela falta de reacção à actuação da China.

China recusa visto a embaixadora americana pela liberdade religiosa
A China recusou um visto à embaixadora americana pela liberdade religiosa, Suzan Johnson Cook, que pretendia visitar aquele país este mês.

Desde que o posto foi criado, em 1998, os seus ocupantes têm tido uma relação tempestuosa com a China, mas esta foi a mais dura reacção do regime chinês e a polémica, que a Casa Branca terá tentado evitar, poderá desestabilizar a visita aos Estados Unidos do actual vice-presidente da China.

Suzan Johnson Cook tinha viagem marcada para visitar a China no dia 8 de Fevereiro, uma semana antes da chegada aos Estados Unidos de Xi Jinping, actual vice-presidente da China e possível sucessor à Chefia de Estado.

Na preparação da sua visita Cook tentou agendar reuniões com vários dirigentes chineses, mas todas as reuniões foram rejeitadas. Nas vésperas da partida a embaixadora foi informada de que o seu visto tinha sido recusado, uma vez que não tinha conseguido agendar qualquer encontro.

A Casa Branca tentou abafar o assunto, segundo fontes citadas pelo "Washington Post", para não afectar a visita de Jinping que Obama espera que possa apaziguar as relações tensas entre a Pequim e Washington.

Mas a notícia acabou por ser divulgada por fontes ligadas a associações pela defesa dos direitos humanos com quem Cook tinha reunido em preparação da sua visita. A embaixadora encontrou-se com representantes do movimento tibetano e das comunidades cristã e muçulmana na China, para além de membros da seita Falun Gong, que tem sido duramente perseguida pelas autoridades.

A divulgação da notícia vem em má altura para Barack Obama, já envolvido numa polémica e um conflito com o episcopado católico sobre a liberdade religiosa na América. O facto da administração americana não se ter revoltado com a recusa do visto tem conduzido a fortes críticas por parte de activistas.

“O que acontece na China vai ter um forte impacto quando tentarmos ir ao Egipto, ao Vietname e muitos outros sítios. As pessoas vão olhar para o cargo e pensar ‘até que ponto é que esta embaixadora é mesmo importante?’”, lamentou o congressista republicano Frank Wolf, em declarações ao "Washington Post".

Outros foram mais duros com Obama: “A falta de reacção da administração a esta recusa de visto demonstra o quão importante é este assunto para eles. Não houve revolta, nem uma declaração da Casa Branca”, considerou Joseph Grieboski, do Institute on Religion and Public Policy, citado pelo mesmo jornal.

A China tem um fraco registo no que diz respeito à liberdade religiosa. Existem problemas com praticamente todas as comunidades religiosas do país, desde as comunidades muçulmanas Uighur ou Hui, às igrejas cristãs clandestinas, incluindo a Católica, aos budistas tibetanos que nos últimos meses têm recorrido à auto-imolação para dar visibilidade aos seus protestos contra a ocupação chinesa.