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Líderes da Igreja búlgara acusados de colaborar com comunistas

27 jan, 2012 • Filipe d'Avillez

Pároco da comunidade portuguesa fala em manipulação e tentativa de descredibilizar a Igreja Ortodoxa da Bulgária.

Líderes da Igreja búlgara acusados de colaborar com comunistas
Pelo menos 11 dos 15 metropolitas, que formam o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa da Bulgária, podem ter sido agentes da polícia secreta do regime comunista, revelou esta semana a Comissão dos Ficheiros, uma entidade responsável por analisar os documentos do regime.

Fora da lista está o actual Patriarca Maxim, de 97 anos, mas a notícia está a afectar seriamente a credibilidade da Igreja, a que pertence mais de 80% da população. Mesmo o primeiro-ministro, Boyko Borisov, declarou-se chocado com a revelação.

A descoberta não tem qualquer efeito judicial e é discutível até que ponto a referência como agentes secretos implica uma verdadeira culpa por parte dos metropolitas, como refere à Renascença o arcipreste Gotze Hristov, responsável pela comunidade ortodoxa búlgara em Portugal. “O facto dos metropolitas do Santo Sínodo estarem nesta lista não significa que todos tenham colaborado com o regime comunista, porque no tempo do comunismo toda a gente que viajava para fora do país era obrigado a passar por uma filtragem”, considera.

A Bulgária não é o primeiro país a passar por esta situação. O antigo Patriarca Alexis, de Moscovo, também tinha um ficheiro e um nome de código na KGB e escândalos semelhantes já abalaram as Igrejas de quase todos os países do ex-Bloco de Leste, afectando tanto bispos católicos como ortodoxos.

Em alguns casos os acusados afirmam que um certo grau de colaboração era essencial para a Igreja conseguir sobreviver, outros declaram que foram forçados a colaborar.

O padre Hristov afirma que não tem acesso a mais informação do que aquilo que está na imprensa, mas acredita que a maioria dos acusados é inocente: “Eu não acredito que todos os metropolitas colaboraram com a polícia nesta altura. É a minha opinião. Para mim tudo isto é uma grande manipulação contra a Igreja”, diz, lamentando que “Ninguém fala dos políticos e outras pessoas da sociedade que colaboravam com o regime comunista”.

Um dos hierarcas alegadamente envolvido ao mais alto nível na colaboração com o regime é o metropolita para a Europa Ocidental e Central, Simeão, de 85 anos, que tem jurisdição sobre Portugal (na imagem). Notícias na imprensa búlgara chegaram a indicar que muitas paróquias na diáspora europeia teriam pedido para mudar de jurisdição, mas o padre Hristov garante que isso é tudo mentira, não querendo, contudo, comentar um eventual envolvimento do seu metropolita no caso.

Instado a comentar quem estará por detrás de uma alegada campanha de descredibilização, o sacerdote afirma que não sabe.