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Mulher atacada por ultra-ortodoxos em Israel

25 jan, 2012

O carro de Natali Mashiah foi destruído e a mulher de 27 anos chegou a temer que lhe pegassem fogo. Tudo porque estava vestida de forma “imodesta”.

O conflito entre judeus ultra-ortodoxos e seculares na cidade de Beit Shemesh, arredores de Jerusalém, atingiu ontem novas proporções quando uma mulher foi atacada por um grupo de homens da comunidade haredi, termo que designa os ultra-ortodoxos.

Natali Mashiah não ganhou para o susto quando o seu carro foi violentamente atacado por um grupo de homens que a acusaram de estar vestida de forma “imodesta”. Os atacantes partiram os vidros do veículo e furaram os quatro pneus antes de verterem lixívia para o interior.

Quando Mashiah tentou fugir do local levou com uma pedra na cabeça, mas conseguiu escapar. A mulher de 27 anos diz que chegou a temer que os haredim lhe pegassem fogo. Durante todo o episódio ninguém terá tentado ajudar Mashiah, apesar de se ter reunido uma multidão no local.

A chegada de um carro de patrulha da polícia pôs termo à perseguição. A polícia deteve três suspeitos no local.

Este foi apenas o mais recente e mais violento episódio numa já longa contenda que opõe as comunidades ultra-ortodoxas ao meio secular. Os haredim procuram impor a segregação de homens e mulheres nos seus bairros, incluindo passeios separados para cada género e lugares separados nos autocarros públicos, apesar da insistência do Estado em proibir estas práticas.

Um ponto de disputa é o vestuário das mulheres. As mulheres da comunidade haredi vestem-se de forma muito conservadora e, quando aparece na zona uma mulher que não cumpra rigorosamente esses critérios, é frequentemente insultada.

Em Dezembro a sociedade israelita ficou chocada com a história de uma menina de oito anos de uma família religiosa, mas não haredi, que foi cuspida e insultada por um grupo de homens quando passava hum bairro de ultra-ortodoxos a caminho da escola.

O incidente motivou manifestações contra a segregação mas, a julgar pelo episódio de ontem, os haredim não desarmam das suas intenções de impor o seu estilo de vida nos bairros onde formam a maioria da população.