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Chave para sair da crise pode estar na diáspora

20 jan, 2012 • Paula Costa Dias

Governo diz estar disponível para apoiar o trabalho da Igreja Católica junto das comunidades portuguesas no estrangeiro.

O Director da Obra Católica Portuguesa de Migrações diz que o anunciado encerramento de consulados portugueses no estrangeiro é um erro político e nada contribui para que Portugal saia da Crise.

O assunto vai estar a partir de hoje em discussão em Fátima, no 12º Encontro de Formação de agentes sócio-pastorais das migrações que decorre até Domingo com o tema “Portugal: Entre a Emigração e a Imigração”.

O Encontro vai servir para apresentar o diagnóstico actual dos fluxos migratórios em Portugal, dar a conhecer a posição da Igreja e reflectir sobre as políticas das migrações no Estado Português. Se em termos de imigração, Portugal tem a segunda melhor lei a nível mundial, no que diz respeito aos nossos concidadãos a viver no estrangeiro o mesmo já não se passa, denuncia Frei Sales Dinis, director da Obra Católica Portuguesa das Migrações.

“As redes de assistência e acompanhamentos aos que estão lá fora estão a ser cada vez mais reduzidas. Está-se a transformar numa linha economicista num espaço de atendimento pessoa a pessoa por máquinas, os chamados consulados virtuais, que eu considero um erro político”, considera o frade.

Até porque, diz Frei Sales Dinis, os nossos emigrantes poderão ser determinantes para Portugal sair da crise: “Sabemos que a saída da crise passa não só pelo aumento da produção, mas pela exportação daquilo que se produz, portanto as nossas comunidades, esta rede humana que temos espalhados pelo mundo seriam os canais naturais para escoar os nossos produtos. As redes consulares não deviam ser meios canais burocráticos, mas deviam ser canais para abrir todo esse escoamento.”

Contando com a presença do secretário de Estado adjunto do Ministro dos Assuntos Parlamentares e do secretário de Estado das Comunidades, José Cesário o encontro, que decorre de hoje e até domingo em Fátima, reunirá perto de uma centena de pessoas que todos os dias lidam directamente com migrantes.

O Governo disse estar disponível para apoiar o trabalho da Igreja Católica junto das Comunidades Portuguesas no Estrangeiro. Uma hipótese avançada esta tarde à Renascença por José Cesário, explicando que se trata de estender à Igreja apoios que já são dados a outras instituições sociais no estrangeiro.