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Abusos na Igreja

Polícia belga faz novas rusgas em dioceses católicas

17 jan, 2012

Advogado que representa a Igreja diz que se a polícia queria ter acesso à documentação bastava ter pedido.

A polícia belga desenvolveu buscas nos gabinetes dos bispos de três dioceses no país, ontem e confiscou documentação relativa a padres que são acusados de terem praticado abusos sexuais a menores.

Os escritórios dos bispos de Antuérpia, Hasselt e Mechelen foram palco das rusgas. Segundo uma porta-voz da polícia o objectivo era ver até que ponto as autoridades teriam conhecimento das acusações feitas contra os padres suspeitos.

“Temos cerca de 200 depoimentos de vítimas e com base nestes e mais 87 queixas civis, quisemos ver os registos pessoais de padres, feitos pelos seus superiores, para ver se encontramos alguma coisa de útil”, afirmou Lieve Pellens.

Contudo, o advogado da Igreja neste caso mostrou-se perplexo pela natureza das rusgas: “Se tivessem ligado para as dioceses e pedido não teria havido qualquer problema, ter-lhes-íamos enviado os dossiers”, disse Fernand Keuleneer.

O advogado mostrou-se também preocupado com algumas questões de sigilo, temendo que alguns dos documentos apreendidos possam conter declarações de vítimas que tivessem pedido expressamente que os seus testemunhos não fossem mostrados às autoridades.

A Igreja na Bélgica, como noutros países, tem sido abalada por uma série de revelações sobre abusos sexuais cometidos por padres e até, em pelo menos um caso, um bispo.

Contudo, mais do que noutros países, as autoridades têm revelado pouca vontade de colaborar com a Igreja para chegar ao fundo das questões. O ano passado, em Junho, os bispos belgas que se encontravam reunidos em conferência episcopal na catedral de Antuérpia foram confinados a uma sala durante cerca de nove horas, sem acesso a telemóveis, enquanto a polícia fez uma rusga à Igreja que incluiu a abertura do túmulo de um antigo arcebispo.

Na altura até Bento XVI criticou o excesso de zelo como “deplorável” e mais tarde um tribunal veio dar-lhe razão, afirmando que a polícia tinha exagerado nas medidas tomadas.