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Índios Norte-americanos prestes a receber primeira santa

20 dez, 2011

Arcebispo índio diz que este é um momento de grande alegria para a comunidade nativa da América.

Índios Norte-americanos prestes a receber primeira santa
Os índios norte-americanos, nativos daquele continente, deverão ter em breve uma santa padroeira extraída da sua comunidade.

Kateri Tekakwitha viveu no século XVII, numa altura de grande turbulência para as comunidades nativas e de conflito cultural e religioso entre os índios e os colonos europeus.

O seu pai era chefe da tribo Mohawk mas a mãe, de outra tribo, tinha crescido entre os missionários franceses e sido baptizada. Contudo, quando Kateri tinha apenas quatro anos toda a sua família morreu numa epidemia de Varíola que deixou a menina com a cara desfigurada e com problemas de visão.

Kateri foi baptizada por missionários jesuítas em 1676, aos 20 anos, e teve de fugir para o Canadá para poder viver livremente a sua fé. A sua devoção e espiritualidade impressionaram fortemente os missionários e, quando morreu passados apenas quatro anos, várias testemunhas afirmaram que as cicatrizes lhe desapareceram inexplicavelmente da cara.

A comunidade indígena da América do Norte tem pedido a abertura do seu processo de canonização desde o final do século XIX. Em 1980 João Paulo II aprovou um milagre que a elevou ao estado de beata. Agora, o Vaticano acaba de reconhecer outro milagre pelo qual um rapaz índio se viu curado de uma bactéria carnívora que o tinha deixado severamente desfigurado na cara, ameaçando matá-lo. O rapaz foi curado por intercessão de Kateri e depois de uma relíquia da beata lhe ter sido colocado na pele. Agora resta apenas um decreto papal para que a canonização se torne uma realidade.

A notícia é uma grande alegria para os índios católicos da América do Norte, como explicou à Catholic News Service o arcebispo Charles Chaput, o único arcebispo índio nos Estados Unidos: “Estamos todos muito orgulhosos porque ela representa a inculturação, de que falava João Paulo II. Os santos são elementos verdadeiramente inculturados de uma comunidade porque incorporam pessoalmente tanto o Evangelho como a cultura de onde vêm”, afirmou.