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Células estaminais

Homem deve ser sempre o beneficiário da ciência e não o instrumento

13 nov, 2011 • Filipe d'Avillez

Bento XVI saudou ontem os participantes no congresso sobre células estaminais adultas que decorreu em Roma sob o patrocínio do Vaticano.

Homem deve ser sempre o beneficiário da ciência e não o instrumento
Homem deve ser sempre o beneficiário da ciência e não o instrumento
O homem deve ser sempre o beneficiário da ciência e nunca um instrumento ao serviço desta, alertou Bento XVI perante os participantes num congresso sobre células estaminais que decorreu em Roma.

O Papa voltou ontem a invocar a inviolabilidade da vida humana desde a concepção até à morte natural ao elogiar a investigação com células estaminais adultas, por oposição às embrionárias, cuja colheita implica a destruição de embriões viáveis.

“Quando o objectivo é tão desejável como o descobrimento de curas para doenças degenerativas, é tentador para cientistas e políticos ignorar as objecções éticas e avançar com qualquer pesquisa que pareça promissora. Aqueles que defendem a investigação com células estaminais embrionárias na esperança de obter avanços cometem o grave erro de negar o direito inalienável à vida de todos os seres humanos desde a concepção até à morte natural”, afirmou Bento XVI.

O Papa recusa a ideia de um conflito entre a fé e a ciência mas fala da importância da ciência respeitar os limites da dignidade humana.

“Ha dimensões da existência humana que ficam para além dos limites daquilo que as ciências naturais podem determinar. Se estes limites forem transgredidos há um grave risco da dignidade e inviolabilidade da vida poderem ser subordinados a considerações puramente utilitárias. Se, contudo, estes limites forem respeitados, a ciência pode fazer uma contribuição verdadeiramente assinalável na promoção e protecção da dignidade do homem. Na verdade é aqui que se encontra a sua verdadeira utilidade”, considerou.

O Papa falou contudo sobre o potencial das células estaminais adultas que apresentam um potencial tão promissor como as embrionárias mas sem as objecções éticas: “Os potenciais benefícios da investigação com células estaminais adultas são consideráveis, abrindo possibilidades para curar doenças degenerativas crónicas, recuperando tecidos danificados e restaurando a sua capacidade de regeneração”.

Para que os avanços científicos nunca tratem o homem como um instrumento, mas sim como o beneficiário último de todas as tecnologias, é fundamental um diálogo entre a ciência e a fé: “Segue que um diálogo entre a ciência e a ética é da maior importância para assegurar que os avanços médicos não se fazem com custos humanos inaceitáveis”.

Durante a última semana estiveram reunidos em Roma cerca de três centenas de especialistas que partilharam conhecimentos e avanços feitos no ramo da investigação com células estaminais adultas.