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Arcebispo anglicano apoia propostas do Vaticano para o sistema financeiro

02 nov, 2011

Santa Sé sugeriu a criação de uma autoridade pública mundial que dê resposta à crise económica e financeira mundial e taxação sobre todas as operações financeiras.

O arcebispo de Cantuária Rowan Williams, primaz da Igreja Anglicana, invocou ontem o recente documento do Conselho Pontifício de Justiça e Paz sobre o mundo financeiro, afirmando que os temas nele suscitados devem provocar um debate construtivo e mudanças efectivas no sector a nível mundial.

O mais importante clérigo da Igreja Anglicana em Inglaterra defendeu a criação de um imposto europeu sobre transacções financeiras, que deverá ser proposto pela França durante a cimeira do G-20, mas ao qual o Reino Unido se deverá opor.

O Vaticano propôs a criação de uma autoridade pública mundial que dê resposta à crise económica e financeira mundial. Defendeu ainda  taxação sobre todas as operações financeiras, de forma a que as verbas resultantes deste imposto fossem aplicadas num fundo mundial que sirva de apoio às crises.

Indignados e acampados
As palavras de Rowan Williams surgem numa altura em que a Igreja Anglicana apresenta graves divisões em relação à forma como deve reagir ao acampamento dos “indignados” à porta da Catedral de Saint Paul, a maior da cidade.

O acampamento não foi planeado para aquele local, mas os manifestantes acabaram por ficar lá depois de virem rechaçada a tentativa de ocupar a bolsa de Londres. A presença de centenas de tendas à porta obrigou a catedral a fechar as portas pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial e foi aí que a situação se complicou.

Quando a polícia chegou ao local, o cónego responsável pela catedral pediu-lhes que se fossem embora, colocando-se ao lado dos manifestantes. Passados alguns dias, porém, e com a ocupação a afectar os trabalhos da Igreja, aumentou a pressão e a Igreja acabou por pedir à polícia que pusesse fim ao acampamento, motivando a demissão do cónego Giles Fraser.

Fraser foi seguido de outros dois clérigos, o reverendo Fraser Dyer e o deão da Catedral, Graeme Knowles.

A ordem para dispersar os manifestantes acabou por ser suspensa e as palavras do arcebispo Rowan Williams parecem colocar a hierarquia da Igreja Anglicana mais solidamente atrás dos manifestantes do que dos banqueiros por eles contestados.