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Ordenação de mulheres

Activistas impedidos de entregar petição em Roma

18 out, 2011

Grupo era liderado pelo padre Roy Bourgeois, activista americano excomungado no início de 2011.

Um grupo de cerca de 15 activistas que defende a ordenação das mulheres foi ontem impedido de aceder ao Vaticano, onde pretendiam entregar uma petição assinada por cerca de quinze mil pessoas.

Além de várias mulheres, algumas das quais paramentadas, estava presente o padre Roy Bourgeois, sacerdote americano que foi excomungado recentemente, precisamente por apelar publicamente à ordenação de mulheres na Igreja Católica.

Os activistas estiveram nas imediações do Vaticano, com um estandarte onde se lia: “Deus está a chamar mulheres para o sacerdócio”. Quando tentaram entrar na Praça de São Pedro, foram impedidos por polícias que lhes confiscaram o estandarte. O padre Roy e uma das activistas, Erin Hanna, foram mesmo conduzidos à esquadra mais próxima.

Roy Bourgeois foi ordenado na ordem missionária de Maryknoll, nos Estados Unidos. Durante a sua carreira, foi activista de várias causas, mas esbarrou com a hierarquia católica e da sua própria ordem quando, no início de 2011, persistiu em desafiar a doutrina católica que inibe a ordenação de mulheres.

Bourgeois recusou retractar-se da posição expressa publicamente e acabou por ver confirmada uma excomunhão por ter participado, em 2008, numa suposta cerimónia de ordenação de mulheres.

A Igreja Católica afirma que não tem autoridade para ordenar mulheres, uma vez que na tradição, remontando a Jesus Cristo, tal nunca foi feito.

A posição foi clarificada por João Paulo II que, na sua carta apostólica Ordinatio Sacerdotalis de 1994, expõe as razões da Igreja e declara que a questão não está aberta a discussão.

Esta posição contrasta com a que foi seguida por várias igrejas protestantes, incluindo a comunhão anglicana, o que levou a diversas cisões. Outras Igrejas apostólicas, como as ortodoxas, também reservam as ordens sagradas para os homens.

[Notícia actualizada às 17h53]