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Um bispo ao microfone

Dez anos a passar a mensagem pelas ondas da rádio

17 out, 2011 • João Santos Duarte

O programa "Dia do Senhor", de D. Manuel Clemente e Óscar Daniel, cumpre 10 anos. Fomos espreitar os bastidores.

Dez anos a passar a mensagem pelas ondas da rádio
Dez anos a passar a mensagem pelas ondas da rádio
Tudo começou há dez anos, com um desafio lançado a D.Manuel Clemente para fazer um programa semanal na Renascença. Pouco tempo depois juntou-se-lhe Óscar Daniel, e juntos levam até aos ouvintes todos os Domingos o "Dia do Senhor". Um programa que combina momentos de reflexão, música e a actualidade da Igreja, que tem seguidores de todas as idades, sejam ou não católicos.
No início estava sozinho. O programa durava 45 minutos e mesmo com algumas músicas pelo meio, “aquilo não me satisfazia”, revela sem hesitar. Mas isso duraria pouco tempo. No final desse mesmo ano foi à Renascença dar uma entrevista que acabaria por mudar o formato do programa: “Correu tão bem, de uma maneira tão simpática, que eu disse, quase em jeito de ultimato, que só continuava se fosse com o Óscar Daniel, em jeito de conversa”, recorda D. Manuel Clemente.

E é assim que, faz agora 10 anos, os dois trazem todos os Domingos de manhã aos ouvintes da Renascença o “ Dia do Senhor”, um programa que cruza momentos de reflexão com a música, leituras e interpretação do evangelho e a actualidade da Igreja. Ou mesmo com histórias do dia-a-dia e momentos mais descontraídos.

“O terço é uma oração tão simples, que se pode rezar até mesmo na rua. No outro dia um sacerdote meu amigo ia pela rua fora a rezar até que encontrou alguém conhecido. Quando vai para lhe estender a mão, em vez de o cumprimentar, engana-se e diz uma parte da Avé Maria, porque ainda vinha a rezar!”, conta o bispo do Porto num dos programas, para riso imediato tanto de Óscar Daniel como da produtora, Francisca Favilla, que está sentada ao lado dos dois no estúdio. “Ele vive aquilo que diz, e isso dá-lhe uma força muito grande. Mesmo que ele não fosse um comunicador tão bom, ele tem esta qualidade que cativa”, conta Francisca.

O convite inicial feito há dez anos era para um programa sobre a actualidade da semana, mas D. Manuel Clemente quis que fosse muito mais do que isso, e nomeadamente que estivesse centrado na importância e no significado do Domingo. “Antes de mais tem uma projecção religiosa, mas também social e cultural imensa. Nós nem nos damos conta disso, mas a nossa civilização, a nossa cultura, foi tocada pelo ritmo dominical da vida. Nas consequências de tipo social, em reagrupamento das famílias, em reencontro dos amigos, até identificação das terras à volta da celebração, a projecção social e cultural do domingo é imensa, e o programa procura passar um pouco isso.”

Para católicos e não só
As palavras de D. Manuel Clemente são intervaladas com alguns momentos musicais, e aqui podemos ser muitas vezes surpreendidos, admite Francisca Favilla: “Tudo toca no “Dia do Senhor”, o que é preciso é que, em cada programa, haja uma harmonia em termos musicais. Acho que uma boa canção dos Beatles às vezes tem tanto lugar com uma das árias mais conhecidas do Bach.”

E desengane-se quem pense que só os católicos sintonizam a rádio ao Domingo de manhã :“É um público muito heterogéneo, de várias gerações e idades. Guardo algumas cartas de um ouvinte nosso que não é católico, e que costumo dizer ao senhor D. Manuel: ‘Este é o ouvinte mais fiel que nós temos!’ Porque ele descrimina nas cartas tudo o que ouve, explica aquilo com o qual concorda e não concorda, e faz isso com alguma assiduidade há já alguns anos. É um programa que tem uma mensagem específica, mas que pode tocar quem não é católico, ou mesmo quem não é crente”, conta Óscar Daniel.

Ao longo de dez anos, nem sempre tem sido fácil conciliar a intervenção na rádio com a agenda e a azáfama do dia, mas é dos ouvintes que tem vindo a principal motivação para nunca parar, revela D. Manuel Clemente: “As pessoas escrevem-me ou telefonam constantemente a dizer para não acabar. E o bispo é um evangelizador, ou um neo-evangelizador, como pede o Papa, e tem que aproveitar estes átrios dos gentios onde as pessoas se encontram, mesmo pelas ondas da rádio”.