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Egipto

Junta militar promete mudar leis sobre construção de Igrejas

14 out, 2011

Grupo de políticos liberais acusa os generais de mentirem sobre a razão da violência no passado Domingo que matou 24 coptas.

Os generais que governam actualmente o Egipto prometeram ontem rever e actualizar as leis que regem a construção de locais de culto.

Segundo as leis actuais, que datam do regime de Mubarak, a construção ou restauro de uma igreja requer um decreto presidencial, o que pode levar anos a conseguir. No caso das mesquitas, porém, as autorizações são simples e rápidas de adquirir.

As disputas sobre a construção de igrejas têm estado na raiz de muitos dos conflitos que envolveram a comunidade copta nos últimos anos. No caso mais recente, 24 cristãos coptas, como são conhecidos os cristãos egípcios, foram massacrados por soldados quando se reuniram para protestar contra a destruição de mais uma igreja numa aldeia egípcia.

Os coptas acusam os muçulmanos da aldeia de incendiarem a igreja, mas os muçulmanos contrapõem que o edifício estava em situação ilegal.

Esta é a segunda vez que o Governo egípcio, que tomou o poder após a queda de Mubarak, promete alterar a lei, mas até agora nada tem sido feito.

Ontem mantiveram-se os protestos contra a junta militar. Depois de os generais terem dado uma rara conferência de imprensa em que justificaram o massacra com o pânico dos seus soldados, um grupo de políticos liberais acusou-os de mentir e afirmou ainda que a televisão estatal tinha sido cúmplice da situação ao emitir pedidos a “egípcios honestos” para acorrerem ao local do protesto para defender os soldados dos manifestantes.

Os incidentes no Domingos foram o pior caso de violência no país desde que a “primavera árabe” pôs fim à ditadura de Hosni Mubarak.