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Egipto

Generais justificam mortes de coptas com medo dos soldados

13 out, 2011

Militares insistem que quaisquer tiros disparados partiram de “terceiros” ou “mão estrangeira” com intenção de minar a revolução.

Generais justificam mortes de coptas com medo dos soldados
Numa medida pouco usual os generais que governam actualmente o Egipto deram uma conferência de imprensa sobre o massacre de cerca de duas dúzias de coptas no passado Domingo.

Alguns dos mortos foram baleados e outros atropelados por veículos militares. O incidente provocou a fúria da comunidade cristã copta e uma onda de consternação internacional.

Ontem, porém, os generais justificaram a repressão com o alegado medo dos militares que estavam no local, afirmando que os 300 soldados tinham sido surpreendidos por uma multidão de seis mil cristãos agressivos.

“Quero que imaginem o soldado no seu veículo que vê estas cenas e quer fugir para salvar a vida”, sugeriu o general Adel Emara. “Ele vê carros a arder e se sair será espancado. O que pode fazer, se não conduzir o seu veículo para longe daquele inferno?”, perguntou, referindo-se ao caso dos atropelamentos e esmagamentos.

“Ele queria sair do local com o seu veículo, devia estar traumatizado”, insistiu o general.

A justificação pública dos generais, um acto em si raro e inédito desde que tomaram o poder após a queda de Mubarak, contrasta com testemunhos daqueles que estiveram presentes.

Uma jovem copta tem estado no centro das atenções depois de revelar, em entrevista, que foi salva pelo seu noivo que a empurrou para fora do caminho de um carro armado sacrificando a sua própria vida. “Senti-me a ser empurrada”, afirma na entrevista, dizendo que quando olhou para trás viu o seu noivo com o crânio esmagado e a perna quase amputada.

“Mesmo assim soldados começaram a bater no seu corpo, e depois em mim. Um bateu-me com o cassetete e chamou-me infiel”, afirmou.

Os generais, porém, insistem que não houve qualquer intenção de matar cristãos nos incidentes de Domingo. “Declaro que não foi intencional e é uma vergonha qualquer egípcio dizer que outro egípcio, das forças armadas, possa ter sido treinado para atropelar manifestantes”.

Segundo a junta militar os tiros disparados também não partiram dos militares, uma vez que estes não tinham munições. Sobre as várias vítimas que apareceram baleadas, entre mortos e feridos, os generais culpam “terceiros” ou uma “mão estrangeira” com intenção de minar a revolução egípcia.