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Zimbabué

Arcebispo de Cantuária confronta Mugabe sobre perseguição

12 out, 2011

País não precisa de viver com terror e derramamento de sangue, afirmou Rowan Williams.

Rowan Williams, o Arcebispo de Cantuária e primus inter pares dos líderes da Comunhão Anglicana, foi recebido por Robert Mugabe durante a sua visita ao Zimbabué.

Williams entregou ao Presidente daquele país um longo relatório, onde estão detalhados os abusos e perseguições levados a cabo contra fiéis da Igreja Anglicana pelo regime e seus apoiantes. Os problemas remontam a 2007 quando o bispo local Nolbert Kunonga foi excomungado por apelar à violência contra os agricultores brancos do país.

Kunonga declarou-se líder da Igreja Anglicana do Zimbabué e com o apoio do regime tomou controlo da catedral de Harare, de dezenas de igrejas, hospitais e a conta bancária da instituição.

Contudo, a esmagadora maioria dos fiéis recusou-se a seguir o bispo rebelde e continuou fiel à hierarquia original. Milhares de anglicanos receberam efusivamente Williams numa celebração que decorreu num pavilhão desportivo.

O relatório que Williams entregou a Mugabe elenca vários casos de perseguição e abuso, incluindo pelo menos um homicídio que vitimou uma mulher que insistentemente se recusou a seguir Kunonga.

Cismas ontem e hoje
Mugabe, que só concordou em receber Williams à última da hora, disse não conhecer os casos que lhe foram apresentados. Sobre o estatuto das Igrejas rivais o ditador, que foi baptizado católico e educado por jesuítas, recordou Williams que também a Igreja Anglicana era uma Igreja que se tinha separado da Igreja Católica.

Na celebração a que presidiu dias antes, Williams lamentou que “durante muitos anos neste país uma classe dirigente agarrou-se ao poder que tinham usurpado à custa dos indígenas, ignorando os seus direitos, as suas esperanças por dignidade e liberdade política”.

O Arcebispo afirmou ser trágico que “essa situação tenha sido substituída por outro tipo de ilegalidade, onde tantos vivem diariamente com medo de serem atacados se não cumprirem com aquilo que os poderosos exigem”.

“A mensagem que queremos que saia desta celebração eucarística é de que não é preciso viver assim, em terror, com derramamento de sangue”, concluiu.