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Padre Luís Archer foi hoje a enterrar

09 out, 2011

O cientista tinha 85 anos e 65 de jesuita.

O funeral do padre Luís Archer realizou-se esta tarde no cemitério dos Olivais depois de uma missa de corpo presente na igreja do Colégio São João de Brito.

Várias pessoas prestaram homenagem ao homem que foi, ao mesmo tempo, padre e cientista.

Luís Archer, que pertenceu à comunidade jesuíta durante 65 anos, morreu ontem aos 85 anos no hospital de Santa Maria depois de se ter sentido mal.

Luís Archer foi pioneiro da biogenética em Portugal, participou na criação do Laboratório de Genética Molecular do Instituto Gulbenkian da Ciência, foi professor na Universidade Nova de Lisboa e foi o primeiro presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida entre 1996 e 2001. Em 1991 o seu trabalho foi reconhecido pela presidência da República, que lhe atribuiu a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada.

O actual provincial dos jesuítas, padre Alberto Brito, recorda o sacerdote e cientista como alguém que sempre conseguiu manter um diálogo entre o espírito e a ciência: “Teve este grande condão, sempre competente, de dialogar com o mundo da ciência. Provar que se pode ser homem da Igreja e homem da ciência, da investigação de ponta, e pioneiro, e usar uma linguagem que toda a gente pode entender, porque há cientistas que não têm capacidade de comunicar com o público. O padre Luís Archer era capaz de falar com crentes e não crentes, cientistas e não cientistas, o homem comum. Diria que era um homem universal.”

Apesar de ser sacerdote, Luís Archer foi sempre neutro e justo, sublinha o médico Daniel Serrão. “Era uma pessoa de superior inteligência. No meio científico tinham por ele o mais elevado respeito e consideração. Foi um excelente presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. Sendo sacerdote foi inteiramente neutro e justo”, disse.