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Igreja Católica

“Não há uma Igreja pré e outra pós-concílio”, diz Cardeal Piacenza

06 out, 2011 • Filipe d'Avillez

Prefeito para a Congregação do Clero afirma que o Segundo Concílio Vaticano deve ser lido à luz dos textos que produziu e não de um qualquer “espírito”.

“Não há uma Igreja pré e outra pós-concílio”, diz Cardeal Piacenza
O Cardeal Mauro Piacenza, prefeito para a Congregação do Clero, afirmou anteontem que não se pode distinguir a Igreja antes do Segundo Concílio Vaticano da Igreja pós-conciliar.

“Não pode haver, nem poderia, uma Igreja pré-conciliar e outra pós-conciliar. Se assim fosse a segunda, a nossa, seria histórica e teologicamente ilegítima!”, afirmou Piacenza num discurso feito no seminário de Los Angeles, nos EUA.

O Cardeal atacou também a noção de que existe um “espírito” do Concílio que justifique a adopção de reformas ou ideias que não estão presentes nos seus textos: “Não existe um Vaticano II diferente daquele que produziu os textos que temos hoje. É nesses textos que encontramos a vontade de Deus para a sua Igreja e a eles nos devemos referir, acompanhados de dois mil anos de tradição e vida cristã”.

Aos seminaristas, a quem se dirigia, Piacenza afirmou que talvez eles fossem os primeiros a conseguir fazer uma verdadeira interpretação dos textos conciliares: “A vossa será provavelmente a primeira geração a fazer uma correcta interpretação do Segundo Concílio Vaticano, não de acordo com o 'espírito' do Concílio, que trouxe tanta desorientação à Igreja, mas de acordo com aquilo que o evento disse mesmo, nos seus textos à Igreja e ao mundo”.

Enquanto prefeito para a Congregação do Clero, o cardeal Mauro Piacenza é responsável por todos os assuntos que dizem respeito a padres e diáconos diocesanos. Os bispos têm a sua própria congregação. Piacenza foi nomeado em 2010 por Bento XVI e estas suas palavras reflectem fielmente as linhas orientadoras que o Papa tem aplicado à Igreja.

Em 2005, num discurso à Curia Romana, o Papa falou da necessidade de ver a Igreja antes e depois do concílio não numa lógica de ruptura, mas de uma “hermenêutica de continuidade”. Foi nessa lógica que Bento XVI publicou o motu proprio Summorum Pontificum a liberalizar a celebração da missa pelo rito tridentino.