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Bispos húngaros dizem “sim” ao desafio do Papa para ajudar refugiados

08 set, 2015

Conferência episcopal húngara distancia-se do bispo de Szeged-Csanád. Para Laszlo Kiss-Rigo, o Papa está enganado quanto a esta crise: Não se trata de uma vaga de refugiados, mas sim de uma invasão.

A conferência episcopal da Hungria escreveu uma carta ao Papa Francisco na qual se disponibiliza para ajudar a acolher os refugiados que chegam à Europa, muitos dos quais precisamente através desse país.

Na segunda-feira, a imprensa internacional deu algum destaque às palavras de um bispo húngaro que dizia que o Papa está enganado quanto a esta crise e que não se trata de uma vaga de refugiados, mas sim de uma invasão. 

A conferência episcopal distanciou-se rapidamente de Laszlo Kiss-Rigo, bispo de Szeged-Csanád, e manifestou publicamente a sua concordância com Francisco.

Na carta os bispos agradecem ao Papa as suas palavras no domingo passado, depois da oração do Angelus, em que pediu às paróquias de toda a Europa que abram as suas portas para receber refugiados e as suas famílias. “Santíssimo padre, agradecemos-lhe do coração pelas suas palavras”, escrevem os bispos, “seguiremos com alegria e disponibilidade o seu convite para acolher e socorrer os refugiados”.

“As suas palavras dão-nos força e encorajam-nos a continuar o trabalho já iniciado. Agradecemos-lhe por nos preceder no caminho do Evangelho e nos apontar na direcção justa!”, referem.

A reacção dos bispos choca com a das autoridades, incluindo do primeiro-ministro húngaro, Victor Orban, que chegou a invocar a defesa da identidade cristã da Europa para alertar para o perigo de aceitar os refugiados. O bispo Kiss-Rigo diz, na sua entrevista, estar em concordância com Orban.

O buraco deixado pelo Governo, que se limita a registar e nalguns casos a confinar os refugiados a campos, impedindo-os de seguir viagem, tem sido preenchido por voluntários da sociedade civil. A conferência episcopal húngara disponibiliza-se agora para se juntar na resposta aos refugiados e pedem ao Papa que continue a rezar pela justiça neste caso.

“Pedimos que reze pela justiça e pela paz para todos os que precisam e para todos os que os ajudam”, diz a carta, assinada em nome dos 17 bispos diocesanos da Hungria pelo cardeal Peter Erdo.