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Irmãos "cura pernas" aliviam dores dos peregrinos

11 mai, 2015

Ambiente de arraial popular, junto a Pombal, dispensa massagens ou outros tratamentos. "Curamos as pernas e os pés com dança".

Irmãos "cura pernas" aliviam dores dos peregrinos
Os peregrinos que se deslocam para o Santuário de Fátima podem contar com os "cura pernas". Os dois irmãos gémeos, de Marco de Canaveses aliviam as dores corporais com música, dança e "comes e bebes".

Num camião semi-reboque estacionado à beira da Estrada Nacional n.º 1, na zona de Relvão (Pombal), os irmãos José e António Ferreira, proprietários da empresa Gémeos Ferreira, fazem esquecer as mazelas do corpo aos devotos com um ambiente de arraial popular, que dispensa massagens ou outros tratamentos.

Além da animação, os irmãos Ferreira oferecem comida e bebidas não alcoólicas aos peregrinos, numa operação logística que envolve 22 pessoas.

Ao som das concertinas do grupo "Toca e Dança" - constituído por quatro jovens, com idades entre os 10 e os 18 anos, a que se junta Fernando Ferreira, de 87 anos, pai dos empresários e homem dos "sete instrumentos" - os peregrinos envolvem-se activamente nas danças e cantares antes de continuarem a caminhada rumo ao Santuário da Cova de Iria.

"É uma paragem obrigatória, toda a gente para aqui, porque daqui vão com as pernas curadas, até dizem que somos os 'cura pernas'. Chegam aqui com os pés levantados, como é normal, mas depois dançam, cantam e arrancam como se nada fosse", disse à agência Lusa, com grande satisfação, José Ferreira.

Ajudar a dosear o esforço do corpo
Homem de fé, o empresário duriense é peremptório: "curamos as pernas e os pés com dança". Um ambiente que ajuda a dosear o esforço do corpo durante as centenas de quilómetros do trajecto, salientando que alguns "chegam mesmo a cair para o lado e saem daqui revitalizados".

Proveniente de Penafiel, Ana Filomena de Melo não tem dúvidas de que o camião dos irmãos Ferreira "dá ânimo às pessoas que já estão muito cansadas para chegar ao destino".

"Esta é uma paragem obrigatória e saio daqui com mais força", garante a peregrina, que, por questão de comodidade, faz todo o percurso de chinelos, consumindo seis pares até chegar ao Santuário de Fátima.

Durante dois dias (sábado e domingo), período que dura anualmente o apoio antes da peregrinação de 13 de Maio, foram consumidos dois porcos no espeto (um em cada dia), 5.000 pães, uma grande quantidade de presuntos, quatro paletes de sumos e duas de água, além de outros produtos alimentares.

"A empresa Gémeos Ferreira presta este apoio há 21 anos, com muito gosto e com o coração, pois somos muito sensíveis para com os peregrinos que vêm a pé e que chegam até nós para nos abraçar", sublinhou José Ferreira.

Cumprir uma promessa
O empresário nortenho garante que, enquanto puder e a vida permitir, nunca desistirá deste gesto, que ganhou forma após uma peregrinação realizada há 23 anos, em cumprimento de uma promessa.

"Vinha com mais três mulheres e senti-me sem apoio nenhum, e, pelo caminho, achei que havia muita exploração naquele tempo", explicou, ao recordar essa peregrinação.

"Pelo caminho, uma mão, nem sei de quem, bateu-me na cabeça para fazer este gesto, se pudesse. E graças a Deus posso fazê-lo", enfatiza José Ferreira, que, após alguma insistência, revelou que os dois dias de apoio aos peregrinos custam cerca de 10 mil euros.

"Costumo dizer que se dou cinco, Deus dá-me 10. Está óptimo e temos de dividir por estas pessoas que muito precisam", acrescentou o empresário, que, juntamente com o irmão António dirige a empresa Gémeos Ferreira, proprietários de hipermercados nos concelhos de Marco de Canaveses, Paredes, Lousada e Amarante.