Tempo
|

Nos campos de refugiados "falta tudo, menos a fé"

26 mar, 2015 • Ângela Roque

Aqui vivem dois milhões de pessoas que fugiram da guerra na Síria e no Iraque. A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que está de visita ao Iraque e ao Líbano, fala em "situação dramática".

Nos campos de refugiados "falta tudo, menos a fé"
De visita aos campos de refugiados onde vivem cerca de dois milhões de pessoas que fugiram da guerra no Iraque, incluindo as recentes perseguições do autoproclamado Estado Islâmico, a presidente da fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) em Portugal diz que encontrou um cenário pior do que imaginava.

"Há muita gente a viver em condições muito, muito más. Vivem em tendas onde entra a chuva e o frio, as crianças estão sempre doentes", conta Catarina Martins à Renascença.

"Quando lá fomos estava muito frio e neve, e as crianças andavam pelos campos, descalças", afirma a responsável da fundação dependente da Santa Sé.

Depois de visitar o Líbano, a delegação internacional da AIS encontra-se agora em Alqosh, no Norte do Iraque, a verificar as condições dos campos. A mesma responsável descreve uma realidade bastante diferente: "Aqui não há refugiados, mas deslocados".

Segundo as estatísticas, encontram-se 1.8 milhões de pessoas que tiveram de abandonar as suas casas para escapar aos terroristas, mas que permaneceram no país.

Prioridade: realojar
Catarina Martins ficou surpreendida com a capacidade que a Igreja e as várias organizações não-governamentais no terreno tiveram de se organizar e acolher quem fugiu. "Aqui já não há tendas, todos estão em contentores", explica.

A prioridade é realojar estas famílias em casas, mas vai continuar a ser preciso enviar ajuda para os bens essenciais. "É preciso muita ajuda, porque estas pessoas perderam tudo e não têm absolutamente nada. Houve quem saísse a pensar que seria apenas por um dia ou dois".

A realidade, porém, é outra e o regresso pode levar muito tempo. Também há quem não queira voltar. "Muitas pessoas que encontrei pediram apenas ajuda para fugir, não querem regressar às casas que tinham porque está tudo destruído, perderam familiares e não conseguem viver mais aqui. Todos os dias sai muita gente".

A responsável pela AIS em Portugal diz que esta visita está ser "muito intensa e emotiva”, com inúmeros exemplos de gente que perdeu tudo, menos a fé. "Temos visto situações muito complicadas em termos humanos, mas também testemunhos de fé fortíssimos, pessoas que perderam tudo e não têm nada, mas continuam a acreditar em Deus e a confiar que lhes dará tudo o que necessitam".

A visita da delegação internacional da AIS vai prolongar-se até 31 de Março.