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Há um marketing religioso? Sim, e é necessário

05 mar, 2015 • Ângela Roque

Aula aberta esta sexta-feira, no ISEG, quer mostrar como as regras do marketing podem ajudar a divulgar iniciativas da Igreja. Projectos de oração dos jesuítas foram os exemplos escolhidos.  

A palavra "marketing" não costuma surgir associada às coisas da Igreja. Mas não devia ser assim, diz António Pimenta de Brito, que coordena a primeira pós-gradução em Administração de Organizações Religiosas em Portugal.

"As pessoas fazem confusão entre marketing e vendas", diz. Mas o marketing deve ser olhado "não como algo que é manipulador ou mal usado", mas que "pode ajudar a conhecer melhor" o público. "E conhecendo-o conseguimos falar com ele, ir ao encontro das suas necessidades, não pondo em causa a missão principal", diz.

O seminário "Casos Práticos de Marketing Religioso", que vai ter lugar esta sexta-feira no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa, quer mostrar como as regras do marketing podem ser usadas também na Igreja.

As campanhas "Click to Pray", "GPS da Vida Cristã" e o "Passo-a-Rezar", todas do Apostolado de Oração, são os "bons exemplos" que vão ser apresentados pelo padre António Valério.

António Pimenta de Brito escolheu estes projectos ligados aos jesuítas porque esta ordem religiosa sabe como ninguém "comunicar com o público-alvo", utilizando as novas tecnologias:

O "Click to Pray" "até cria uma rede social de oração. "É uma maneira de falar com os jovens de hoje, que são digitais. O acesso à internet, o ‘mobile’, as redes sociais… Temos de comunicar nesses meios". A Igreja também, defende.

O seminário, que está marcado para as 15h00, no ISEG, com entrada livre, realiza-se no âmbito da cadeira de Marketing e Comunicação das Organizações Religiosas, e faz parte da primeira pós-gradução de Administração de Organizações Religiosas.

Esta formação, que teve início em Janeiro, está a ser frequentada por 15 alunos. "São sobretudo os religiosos e ecónomos, ou seja responsáveis pelo material das congregações e organismos da Igreja. Mas também temos leigos, ligados ao centros sociais paroquiais, editoras, etc.", explica o coordenador da pós-gradução.

Antonio Pimenta de Brito garante que a formação "está a correr muito bem" e é uma aposta para manter em próximos anos lectivos.