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Bento XVI estará presente quando D. Manuel for feito cardeal

13 fev, 2015 • Filipe d’Avillez e Ecclesia

Patriarca de Lisboa considera que a reforma da Cúria Romana conduzirá a uma maior integração de leigos e leigas nos organismos centrais da Igreja.  

O Papa emérito, Bento XVI, vai estar presente no consistório de sábado em que 20 bispos, incluindo o Patriarca de Lisboa, serão feitos cardeais pelo Papa Francisco.

A notícia foi avançada esta sexta-feira pelo director da sala de imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, no final de uma conferência de imprensa em que falou dos principais tópicos abordados na reunião do consistório desta manhã.

Desde que renunciou ao pontificado, Bento XVI tem levado uma vida bastante recolhida, sobretudo de oração, como era seu desejo, e raramente aparece em público. As excepções incluem a missa de canonização de João Paulo II e João XXIII, o consistório de 2014 e uma mão cheia de eventos, sempre no Vaticano.

Reforma da Cúria em discussão
Decorreu esta sexta-feira o primeiro dia do consistório que reúne os cardeais existentes, mais os que vão ser elevados a esse cargo no sábado, entre os quais se inclui o Patriarca de Lisboa. Em discussão esteve a reforma da Cúria Romana, um processo que foi iniciado pelo Papa Francisco pouco depois da sua eleição.

Falando aos jornalistas à saída dos trabalhos D. Manuel Clemente falou num caminho de “simplificação”, que visa “evitar duplicações” e “conjugar trabalhos” nos organismos centrais do governo da Igreja Católica.

Nesta reforma, o Patriarca espera ver mais atenção dada aos leigos e às leigas: “É natural que o seu papel seja reforçado, leigos ou leigas, como aliás já funciona nalguns serviços da Cúria Romana”, precisou, alertando que há “muito caminho para andar” até à conclusão da renovação destes organismos.

Admitiu ainda que a prevista centralização dos sectores da família e do laicado católico, para além das instituições mais ligadas “ao social, à caridade”, possa dar um maior protagonismo a católicos que não são membros do clero ou religiosos.

O responsável disse não notar “resistências” às propostas que têm vindo a ser apresentadas, mas apenas “chamadas de atenção” para uma visão de “conjunto” e para o necessário “equilíbrio”.

“Noto a preocupação de que tenhamos em conta o que está estabelecido, que não se tomem decisões que ponham em causa outras que foram tomadas antes”, precisou, lembrando que “às vezes alguma precipitação legislativa põe em causa outras coisas que estão em vigor”.

[Notícia corrigida às 20h49]