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Crónica

Contra o ódio e a violência. Francisco numa "periferia" do Sri Lanka

14 jan, 2015 • Aura Miguel, enviada especial ao Sri Lanka

Milhares de desalojados e perseguidos refugiaram-se no santuário mariano de Madhu, considerado "zona de paz". O Papa visitou-a esta quarta-feira.

Contra o ódio e a violência. Francisco numa "periferia" do Sri Lanka
Contra o ódio e a violência. Francisco numa "periferia" do Sri Lanka
O santuário de Nossa Senhora do Rosário, em Madhu, no Sri Lanka, recebeu hoje pela primeira vez um Papa. Francisco deixou um apelo à reconciliação depois de o país estar a recuperar de uma longa guerra civil. No santuário fundado por missionários portugueses, o Papa Francisco sublinhou que Nossa Senhora nunca abandonou os cingaleses.
Da janela do helicóptero vislumbra-se uma considerável extensão de selva pantanosa, apenas interrompida por um ou outro lago e algumas aldeias que, vistas de cima, parecem perdidas no nada.

Apesar de distante, aquela zona do Sri Lanka, país que o Papa visita, tem uma grande história feita de sombras e de luz. Durante 20 anos os sangrentos confrontos étnicos e religiosos fizeram milhares de vítimas e causaram feridas difíceis de curar.

Milhares de desalojados e até perseguidos refugiaram-se ali no santuário mariano de Madhu, considerado "zona de paz". Um santuário que nasceu da presença missionária portuguesa no século XVI e que Francisco fez questão de visitar.

De Colombo até Madhu, são necessárias cinco horas de automóvel e muitas mais de autocarro. Mesmo a hora e meia que o helicóptero militar do Sri Lanka levou a percorrer, parecia nunca mais ter fim, devido ao calor sufocante do início da tarde.


Foto: EPA

Francisco escolheu esta "periferia" do Sri Lanka para pronunciar palavras de conforto e alento a tantas "famílias que sofreram imenso durante o longo conflito que dilacerou o coração do Sri Lanka". E deixou indicações para curar as feridas causadas "depois tanto ódio, tanta violência e tanta destruição".

O Papa pediu que se reconheçam os erros e "o mal de que somos capazes e do qual, porventura, fomos cúmplices", para só então "experimentar um autêntico remorso e um verdadeiro arrependimento" e, por fim, "oferecer e procurar um verdadeiro perdão".

Para realizar este "árduo esforço de perdoar e encontrar a paz", Francisco quis dizê-lo aos mais simples e humildes. E perante a pequena Imagem de Nossa Senhora do Rosário, solenemente engalanada com um manto de seda e jóias, como em tantas aldeias de Portugal, porque "Maria sempre nos encoraja, nos guia e nos leva a dar mais um passo".