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Papa pede que "não se abuse das crenças para a causa da violência"

13 jan, 2015 • Aura Miguel, enviada especial ao Sri Lanka

Francisco falou no fim de um encontro inter-religioso no Sri Lanka, onde está de visita.

Papa pede que "não se abuse das crenças para a causa da violência"
Papa pede que "não se abuse das crenças para a causa da violência"
No fim do encontro inter-religioso em Colombo, a capital do Sri Lanka, o Papa voltou a apelar a que todos vivam os “princípios da paz” que se encontram “em cada religião”. “A bem da paz, não se deve permitir que se abuse das crenças para a causa da violência ou da guerra”, referiu Francisco no rescaldo dos ataques terroristas de Paris e do Boko Haram na Nigéria.
No fim de um encontro inter-religioso em Colombo, a capital do Sri Lanka, o Papa apelou a que todos vivam os “princípios da paz” que se encontram “em cada religião”. “A bem da paz, não se deve permitir que se abuse das crenças para a causa da violência ou da guerra”, referiu Francisco no rescaldo dos ataques terroristas de Paris e do Boko Haram na Nigéria.

“Devemos ser claros e inequívocos ao desafiar as nossas comunidades a viverem plenamente os princípios da paz e da coexistência, que se encontram em cada religião, e denunciar actos de violência sempre que são cometidos”, salientou.

Francisco admitiu que um diálogo assim “fará ressaltar como são diferentes” as várias “crenças, tradições e práticas”. Contudo, basta ser honesto e apresentar as convicções de cada um para se ver “mais claramente aquilo que temos em comum.”

“Novos caminhos se irão abrir para a mútua estima e cooperação e, seguramente, para a amizade. Espero que a cooperação inter-religiosa e ecuménica prove que os homens e as mulheres não têm de esquecer a sua própria identidade, tanto étnica como religiosa, para viverem em harmonia”, disse o Papa.

Líder muçulmano condena atentados
Neste encontro inter-religioso, interveio também o líder da comunidade muçulmana no Sri Lanka. Mau Lawi Sheik Fazil que fez questão de demarcar o islão de práticas e condutas extremistas como as que levaram aos ataques de Paris e também no Paquistão.
 
“Eu não ficaria bem comigo próprio se não referisse os ataques que tiveram lugar em França e no Paquistão, onde crianças foram massacradas e mortas em nome do islão. Como sabemos muito bem, o islão não tem qualquer relação com estas práticas e condutas. O islão promove a paz, o amor e a harmonia”, declarou o líder da comunidade muçulmana do Sri Lanka.

O Papa iniciou esta terça-feira uma visita de dois dias ao Sri Lanka, país onde o budismo é a religião dominante, seguida do hinduísmo, do islamismo e do cristianismo. Francisco vai canonizar o padre José Vaz, um missionário nascido na Goa portuguesa, que morreu no século XVIII e que o Papa João Paulo II já tinha beatificado.

A seguir ao antigo Ceilão, o Papa segue para as Filipinas o maior país católico da Ásia.

[notícia actualizada às 15h45]