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Jovem muçulmano salvou reféns em Paris, foi preso e agora é herói

12 jan, 2015

Lassana Bathily salvou um grupo de reféns do sequestro num supermercado "kosher" em Paris, na passada sexta-feira.

Jovem muçulmano salvou reféns em Paris, foi preso e agora é herói
Lassana Bathily estava no supermercado judaico em Paris quando Amedy Coulibaly invadiu o local e fez cinco pessoas reféns. A coragem do jovem muçulmano salvou quatro pessoas e fez dele um herói numa história que terminou com 20 mortos, após três dias de terror.

O jovem, funcionário no mercado “kosher” (a dieta judaica) no bairro de Porte de Vincennes, conseguiu esconder um grupo de reféns na câmara frigorífica na cave do estabelecimento, enquanto o terrorista Amedy começou a matar os restantes.

"Desci até à câmara, abri a porta e várias pessoas vieram comigo. Desliguei as luzes e o congelador. Levei-as para dentro e disse-lhes para se manterem calmas, que eu ia subir. Quando elas saíram agradeceram-me", contou o homem, de 24 anos, à televisão francesa BFMTV.

O empregado também conseguiu escapar ileso, ao contrário dos quatro reféns que foram assassinados. Contudo, quando saiu para a rua através de um elevador de mercadorias, Lassana foi preso pela polícia que o julgara um cúmplice do ataque.

"Eles disseram-me para me deitar no chão com as mãos na cabeça. Algemaram-me e detiveram-me por hora e meia como se eu fosse um deles", descreveu.

O equívoco foi, entretanto, esclarecido e a história de Lassana começou a correr as redes sociais. O jornal "L’Express" contou os feitos "do jovem muçulmano do Mali, que se tornou herói no sequestro de Paris".

Amedy Coulibaly foi morto pela polícia ao fim da tarde de sexta-feira, horas depois do início do sequestro que fez quatro vítimas. Também os irmãos Kouachi, autores do ataque ao jornal “Charlie Hebdo”, foram mortos pelas autoridades no mesmo dia, depois de um cerco ao armazém onde estavam escondidos. 

Incidentes antimuçulmanos aumentam
Mais de 50 incidentes antimuçulmanos foram registados em França desde o atentado contra o “Charlie Hebdo”, na quarta-feira, disse o presidente do Observatório contra a Islamofobia do Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM).

Abdallah Zekri, citado pela agência France Presse, disse que o Ministério da Administração registou 21 acções (disparos, lançamento de granadas, entre outros) e 33 ameaças (cartas e insultos, entre outros) desde quarta-feira. Números, contudo, que ainda são provisórios.

"Estou escandalizado com este aumento da islamofobia, depois de termos marchado domingo em ambiente de calma e serenidade, lado a lado, em diversidade, e de termos claramente condenado o terrorismo", disse Zekri.

São números "nunca vistos" em menos de uma semana, acrescentou. Segundo a agência, os últimos dados disponíveis, baseados em queixas recebidas pela polícia, davam conta de 110 actos nos primeiros nove meses de 2014, menos que no mesmo período de 2013 (158).

As autoridades francesas elevaram, esta segunda-feira, a segurança para níveis sem precedentes. O ministro da Administração Interna francês anunciou o destacamento de mais dez mil soldados e quase mais cinco mil polícias para ajudar a proteger as várias comunidades judaicas no território. Escolas confessionais, sinagogas, mesquitas e redacções de jornais serão os locais sob máxima atenção das forças policiais no país, que continua com o plano de acção contra o terrorismo, o "Vigipirate".

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