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Papa na Ásia pela segunda vez

12 jan, 2015 • Aura Miguel

Francisco parte às 18h00 desta segunda-feira rumo ao Sri Lanka. Seguem-se as Filipinas. Duas realidades muito diferentes: o Sri Lanka tem apenas 7% de católicos, enquanto nas Filipinas são 82% da população.

Papa na Ásia pela segunda vez

O Papa parte esta segunda-feira, ao fim do dia, rumo ao Sri Lanka e Filipinas, naquela que é a sua sétima viagem pastoral fora de Itália e também a mais longa do seu pontificado.

Em menos de seis meses, é a segunda vez que Francisco visita a Ásia, o que é bastante significativo. O Sri Lanka e as Filipinas receberam as visitas de Paulo VI, em 1970, e de João Paulo II, em 1981 (só as Filipinas) e em 1995, ambos os países, mas o facto de Bento XVI, por razões de saúde, nunca ter visitado o continente asiático aumenta agora a expectativa do que Francisco poderá encontrar e dizer nestes dois países.

Sri Lanka e Filipinas são realidade muito diferentes: o Sri Lanka tem apenas 7% de católicos, enquanto nas Filipinas são 82% da população.
 
O roteiro da viagem inclui vários pontos de interesse, sendo a maior novidade o facto de um Papa se dirigir, pela primeira vez, a lugares nunca dantes visitados, incluindo um santuário mariano no Sri Lanka.

O Sri Lanka viveu uma espécie de guerra religiosa tribal, durante 30 anos, entre singaleses, maioritariamente budistas, e tamil, hindus. Foi uma guerra sangrenta, com actos de terrorismo realizados pelos autodenominados “tigres tamil” que se faziam explodir em aglomerados e actos públicos.

Apesar de minoritários, os tamil ocupam a zona norte da ilha que João Paulo II nunca conseguiu visitar, por razões de segurança. Nessa zona de guerra (o conflito só terminou em 2006), existe o mais importante santuário mariano da ilha, dedicado a Nossa Senhora de Madhu, que o Papa visita e onde se esperam palavras de paz e reconciliação.

Na cidade de Colombo, a capital do país, destaque ainda para a canonização, na quarta-feira, de um missionário português de Goa, o padre José Vaz, que João Paulo II beatificou em 1995.

Nas Filipinas, a razão principal da visita é muito simbólica, uma vez que os bispos convidaram Francisco para se encontrar com os sobreviventes e familiares das vítimas do tufão Yolanda, que causou mais de seis mil mortos e quase cinco milhões de desalojados. O Papa desloca-se expressamente de avião à zona mais afectada para conhecer de perto os efeitos da devastação.

Em Manila, capital das Filipinas, a expectativa está o rubro. A agenda de Francisco inclui encontros com famílias, com jovens e uma missa no mesmo local onde João Paulo II, há 20 anos, conseguiu reunir mais de quatro milhões de pessoas, número que os filipinos garantem vir a superar.