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Movimentos querem “escutar a cidade” para o sínodo diocesano

17 dez, 2014 • Filipe d’Avillez

A iniciativa passa por ouvir aqueles que geralmente estão fora da Igreja Católica mas cujo testemunho pode ajudar os fiéis a encontrar novas formas de evangelizar.

Movimentos querem “escutar a cidade” para o sínodo diocesano
Um grupo de fiéis católicos, com o apoio de cerca de vinte movimentos, quer envolver as franjas da sociedade, sobretudo aqueles que normalmente são vistos como estando fora da Igreja, no processo de reflexão do sínodo diocesano de Lisboa, que já decorre.

Todos os meses, a partir de Janeiro, haverá uma mesa redonda em que será dada a palavra a “pessoas que não partilham a condição de pertença eclesial”.

“Os temas a abordar serão, entre outros: território, quotidiano e modos de vida; política, participação e democracia; pobreza, emprego e crise financeira; linguagens, espiritualidades, sexualidades e convicções”, conforme se lê na documentação de apresentação do projecto.

A iniciativa chama-se “Escutar a Cidade” e conta com o apoio do Patriarca de Lisboa, segundo Maria Conceição Moita, uma das organizadoras: “Achou a ideia interessante, achou-a boa, mas sugeriu-nos que tanto quanto possível as temáticas das mesas seguissem a reflexão mais global que as paróquias estão a fazer sobre exactamente a questão da evangelização proposta pelo Papa.”

Esta responsável, ligada ao movimento católico Metanoia, realça que as conferências não fazem parte do programa oficial do sínodo, mas pretendem contribuir para ele: “É uma iniciativa autónoma de cristãos, mas faz todo o sentido, em sintonia com o sentir e com as palavras do Papa, que nos incentiva a sair, a ouvir, a ter atenção aos que vivem ao nosso lado, aos que pensam de outra maneira. A Igreja precisa de sair, precisa de sair e ouvir outras vozes, vozes dissonantes, que nos convocam para outras aventuras e para outras práticas. Isso é fundamental, numa perspectiva de evangelização.”

A ideia vai ao encontro da noção de “periferias” de que o Papa Francisco tem falado insistentemente desde a sua eleição: “Ele fala também das periferias sociais e elas são completamente referidas embora não tenhamos nas mesas propriamente nenhum sem-abrigo. Periferias da cidade, daquelas mais gritantes, eventualmente não teremos, mas teremos vozes que falarão por elas, não se pode dizer que falarão em nome delas, mas falarão do seu sentir e da sua vida e do seu sofrimento”, explica Maria Conceição Moita.

O primeiro encontro terá lugar já em Janeiro, mas a organização não divulga ainda os nomes dos participantes enquanto o processo de convites não estiver fechado. Certa, por enquanto é a importância deste sínodo, segundo Maria Conceição Moita: “Pela primeira vez a diocese toda, ou os católicos inseridos em grupos e nas paróquias, estão a fazer ao mesmo tempo uma reflexão que se deseja aprofundada e espero que seja mesmo, sobre questões fundamentais para o relacionamento da Igreja Católica com aquilo que ainda não é Igreja Católica, com o seu exterior, e com o seu interior obviamente também, com as suas práticas, com o seu modo de ver o mundo. Eu tenho expectativas grandes.”