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Igreja de Inglaterra já tem uma mulher bispo

17 dez, 2014 • Filipe d’Avillez

Nomeação foi conhecida esta quarta-feira. Com esta decisão a Igreja Anglicana afasta-se mais da Católica.

Igreja de Inglaterra já tem uma mulher bispo
A Igreja de Inglaterra já tem a primeira mulher bispo. A nomeação de Libby Lane foi conhecida esta quarta-feira e surge no final de um longo e complexo período de discussão que motivou cisões e culminou com a aprovação, no mês passado, da nomeação e ordenação de mulheres para o episcopado.

Libby Lane vai assumir o cargo de bispo de Stockport, uma diocese menor. Por essa razão Lane não terá direito a um assento na Câmara dos Lordes.

Tem 48 anos, dois filhos e é casada com um sacerdote. O casal foi o primeiro a ser ordenado em conjunto na Igreja Anglicana.

A questão da ordenação de mulheres, tanto para o sacerdócio como para o episcopado, é um dos assuntos que tem dividido fortemente as várias igrejas da comunhão anglicana, a par de outros temas mais ligadas à moral sexual, nomeadamente a homossexualidade.

Várias igrejas anglicanas, nomeadamente nos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia já têm mulheres bispo há vários anos. A actual líder da Igreja Episcopaliana, o ramo da Comunhão Anglicana nos EUA, é uma mulher, Katherine Jefferts Schori.

Mas, tal como na questão da homossexualidade, a diferença de práticas e de crenças reflecte uma divisão cultural profunda, com as igrejas asiáticas e africanas, sendo estas de grande expressão demográfica, a recusar tanto a ordenação de mulheres como a aceitação da homossexualidade. A cisão ameaça a própria comunhão anglicana que é, actualmente, a terceira maior comunhão cristã do mundo, a seguir à ortodoxa e à católica.

A Igreja Católica não reconhece a validade das ordens sacras dos anglicanos, o que se estende naturalmente às ordenações femininas tanto para o sacerdócio como para o episcopado. Os representantes do Vaticano no diálogo ecuménico com os anglicanos avisaram repetidas vezes que a ordenação de mulheres para o episcopado seria um obstáculo incontornável a uma eventual reunificação das duas igrejas.

A longo dos anos muitos fiéis, sacerdotes e até bispos anglicanos, descontentes com o que consideram ser uma deriva teológica da igreja, tornaram-se católicos. Em 2009 o Papa Bento XVI criou mesmo uma estrutura para estas pessoas, onde podem manter aspectos do seu património litúrgico e espiritual, em comunhão com Roma.