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Cardeal recusa presidência interina no Burkina Faso

12 nov, 2014 • Ecclesia

Depois da renúncia e fuga do agora ex-Presidente, o poder foi assumido por uma junta militar que está a coordenar a escolha de um Presidente interino.  

Cardeal recusa presidência interina no Burkina Faso
Os militares que ocuparam o poder no Burkina Faso continuam a procurar uma figura que possa desempenhar o papel de Presidente interino e houve quem sugerisse o Cardeal Philippe Ouedraogo, uma personalidade muito estimada no país.

A Conferência Episcopal do Burkina Faso, contudo, recordou que a possibilidade de um bispo ser escolhido para “Presidente interino” do país está vedada pelo Direito Canónico, mas mostrou-se “honrada” pela proposta.

“O cardeal [arcebispo de Uagadugu] quer dizer que escolhendo imitar Cristo na opção preferencial pelos pobres o sacerdote deve evitar criar novas formas de exclusão com uma atitude demasiada partidária. O risco é grande, como demonstrado pela experiência vivida por algumas Igrejas locais”, disse responsável da comunicação da conferência episcopal, a pedido do arcebispo de Uagadugu.

O padre Joseph Kinda citou os cânones 285 e 287 do Código de Direito Canónico para explicar que um padre não pode assumir cargos políticos e sindicais, “a menos que, segundo a autoridade eclesiástica competente, a defesa dos direitos da Igreja e a promoção do bem comum o exijam”.

“Portanto, além da disposição canónica, a posição do cardeal é sobretudo pragmática”, acrescentou.

Depois da renúncia e fuga do agora ex-Presidente do Burkina Faso no final de Outubro, no poder desde 1987 e que pretendia alterar a Constituição para um terceiro mandato, o poder foi assumido por uma junta militar que está a coordenar a escolha de um Presidente interino.

Segundo a agência Fides, do Vaticano, no dia 10 de Novembro foi aprovada a “Carta de Transição”, uma Constituição provisória que espera pela definição de quem vai guiar o Burkina Faso até as eleições gerais de Novembro de 2015.

Philippe Ouedraogo foi criado cardeal em Fevereiro, no último consistório, sendo apenas o segundo cardeal da história daquele país africano.