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Grupos de trabalho contrariam “abertura” do relatório intercalar do sínodo

16 out, 2014 • Aura Miguel, em Roma

As centenas de emendas e propostas devem agora ser concentradas num relatório final, mas não é certo que este esteja concluído a tempo do final do sínodo da família, no domingo.  

Grupos de trabalho contrariam “abertura” do relatório intercalar do sínodo
Os relatórios dos grupos de trabalho do sínodo para a família foram apresentados esta quinta-feira de manhã e são bastante mais contidos do que o relatório intercalar que tinha sido apresentado na segunda-feira, causando bastante polémica pela linguagem que empregava em relação aos aspectos positivos das uniões irregulares ou homossexuais.

A secretaria do sínodo pretendia manter secretos os 10 relatórios dos 10 grupos, mas por vontade expressa dos padres sinodais, após votação específica para o efeito, os textos foram publicados.

A maioria dos textos pede significativas alterações ao relatório inicial, cuja orientação apontava certas mudanças.

Agora, o teor das conclusões e bem diferente. Largas centenas de alterações foram sugeridas. Muitas delas querem modificar alguns parágrafos e outras até mesmo rescrever partes inteiras para esclarecer os ensinamentos da Igreja.

É transversal a preocupação de uma certa ambiguidade no modo como se tem falado do assunto, “como se as situações de crise e realidades estranhas à família” predominassem sobre “a visão positiva e a sua beleza”, dando “a impressão de que a família cristã não foi o centro do diálogo sinodal” ou, então, que “o casamento e a família já não respondem aos tempos de hoje”.

Alguns lamentam o facto de o sínodo não querer usar conceitos claros como “pecado”, “adultério” ou “conversão”, preferindo outros “eufemismos que podem causar confusão entre os fiéis”.

Muitos pedem que se aprofunde teologicamente as questões relacionadas com homossexualidade e acesso aos sacramentos, foco principal dos confrontos dentro do Sínodo.

Ainda esta manhã, em conferência de imprensa – a uma pergunta da Renascença sobre a necessidade de se alterar o Catecismo – o Cardeal Schönborn, de Viena, defendeu a abertura a novos princípios e novas palavras, como por exemplo “a gradualidade” no acesso aos sacramentos – gradualidade que, no entanto, é vivamente criticada, pela grande maioria dos relatórios, por ser um conceito moralmente “confuso” e “redutor da verdade do sacramento do matrimónio”.

Para além dos relatórios finais, cada grupo apresentou as suas sugestões de emendas ou novas inclusões naquilo que será um relatório final e que, se tudo correr bem, deverá ser aprovado no sábado.

Mas este é um processo inédito – até este sínodo os bispos limitavam-se a entregar propostas ao Papa e a publicar uma genérica “mensagem ao povo de Deus”, com algumas noções do que foi debatido – pelo que não é certo que se consiga sequer aprovar um documento final a tempo da conclusão do sínodo.

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