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Um "contraste" marca o sínodo. A análise de D. Manuel Clemente

15 out, 2014 • Agência Ecclesia

Num texto publicado no sítio do Patriarcado de Lisboa, D. Manuel faz o balanço da primeira semana de trabalhos. Para o presidente da CEP, sobressai “a consciência do contraste” entre o que a sociocultura global difunde e sugere “sobre a conjugalidade e a família” e o que a visão crente e cristã entende.

Um "contraste" marca o sínodo. A análise de D. Manuel Clemente

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Manuel Clemente, considera que a primeira semana do Sínodo dos Bispos sobre a Família mostra que “toda a pastoral” tem de “apoiar sempre a família”, afastando o risco de se transformar em “morgue” a fazer “autópsias de matrimónios defuntos”.

"Tudo se há de fazer para que a Igreja não passe de ‘hospital de campanha’ a ‘morgue’ em que se multiplicam as autópsias de matrimónios defuntos»”, aponta o também Pastriarca de Lisboa, num texto publicado no sítio da internet do Patriarcado.

Para D. Manuel Clemente, a “rarefação dos vínculos tradicionais e individualização das decisões e das existências, desinstitucionalização e efemeridade dos compromissos, desvalorização do que não seja imediato e logo compensatório”, são exemplos de notas generalizadas que “sem grandes diferenças” são divulgas à escala mundial.

“Apoiar sempre a família, na respectiva formação e na complementaridade e intergeracionalidade dos seus membros, evidencia-se como a base de toda a pastoral a empreender", escreve o presidente da CEP num “resumo rápido e pessoal do que vai acontecendo” no Sínodo dos Bispos.

Sobre os “fracassos conjugais” que trazem “problemas” aos casais e aos respectivos familiares, D. Manuel explica que o sínodo “não ilude a questão” nem as consequências sacramentais no caso de divorciados recasados e destaca a necessidade de se estar “de facto em conversão permanente”.

D. Manuel Clemente recorda no seu texto enviado a partir de Roma o pensamento da Igreja sobre os divorciados recasados desde o Código de Direito Canónico de 1917 ao Código de Direito Canónico de 1984, e as exortações apostólicas Familiaris Consortio e Sacramentum Caritatis, respetivamente do Papa João Paulo II, em 1981, do Papa emérito Bento XVI, em 2007.

Para o presidente da CEP, do que tem sido “dito e ouvido” sobressai “a consciência do contraste” entre o que a sociocultura global difunde e sugere “sobre a conjugalidade e a família” e o que a visão crente e cristã entende.

D. Manuel Clemente, que representa a Conferência Episcopal Portuguesa no Sínodo dos Bispos, considera que no decorrer dos trabalhos da primeira semana da terceira assembleia extraordinária, dedicada às questões da família, tem sido “muito importante” a presença “cordial” do Papa Francisco e o pedido que fez na abertura do Sínodo, no dia 6, para todos falarem com franqueza e ouvirem com humildade.