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Cardeal junta-se a manifestantes em Hong Kong: “Não queremos ser escravos!”

29 set, 2014

O Cardeal Zen, um veterano crítico do regime comunista chinês, pediu aos manifestantes pró-democracia que não arrisquem a sua vida pela causa, mediante a resposta violenta da polícia.

Cardeal junta-se a manifestantes em Hong Kong: “Não queremos ser escravos!”
Cardeal junta-se a manifestantes em Hong Kong: “Não queremos ser escravos!”
Depois de uma noite tensa, com cargas policiais e gás lacrimogéneo, que resultou em 40 feridos e 78 detidos, milhares de manifestantes recusam-se a abandonar as ruas de Hong Kong. O movimento que tem convocado as manifestações exige mais democracia e contesta a decisão de Pequim de seleccionar três candidatos para as eleições de 2017. Pequim já veio dizer que os protestos são "ilegais" e apela à calma. Os manifestantes prometem para quarta-feira a maior manifestação de sempre.
Os manifestantes pró-democracia em Hong Kong continuam sem arredar pé, apesar da resposta violenta das autoridades ao seu protesto, causando o caos em grande parte da baixa da cidade.

Na noite de domingo os cerca de 80 mil manifestantes puderam contar com o apoio do Cardeal Joseph Zen, o arcebispo emérito daquele território e crítico de longa data do regime chinês.

Perante os manifestantes, que reivindicam reformas democráticas e criticam as propostas do regime de retirar alguns dos direitos democráticos de que ainda gozam, o cardeal disse que é tempo de união: “É mais que hora de mostrar que queremos ser livres e não escravos. Temos de nos unir”, afirmou.

Quem não gostou da intervenção foi precisamente o Governo chinês e as autoridades chegaram a carregar sobre os manifestantes, embora o protesto tenha continuado durante a noite e o dia de segunda-feira, não tendo, neste momento, fim à vista.

Mas perante a reacção violenta das autoridades, o cardeal pediu aos cidadãos pró-democracia que não coloquem em risco as suas vidas. “Por favor dispersem, não sacrifiquem as vossas vidas”, pediu o arcebispo emérito, dizendo que neste momento o diálogo é impossível.