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Bispo paraguaio foi demitido por conflitos com outros bispos

29 set, 2014 • Filipe d’Avillez

Rogelio Livieres Plano afirma que está a ser vítima de uma perseguição ideológica, mas o director da Sala de Imprensa da Santa Sé diz que essa é uma ideia “ingénua”.  

O historial de conflito com outros bispos do Paraguai, e a consequente falta de unidade no episcopado, foi a principal razão que levou à demissão do bispo da diocese de Ciudad del Este, no Paraguai, a semana passada.

Numa primeira nota, no dia da demissão, a Sala de Imprensa da Santa Sé explicava que esta tinha sido motivada por “sérias razões pastorais” e em nome da unidade da Igreja naquele país.

As quezílias entre Rogelio Livieres Plano, que é natural da Argentina, e os restantes bispos eram públicas e tinham por base o facto de ele ser teológica e liturgicamente conservador, enquanto os restantes são tidos geralmente como sendo mais liberais.

O bispo sustenta, aliás, que está a ser vítima de uma perseguição ideológica e que perdeu o seu posto por ser contra a chamada “teologia da libertação”, uma corrente teológica que ainda tem bastante força na América do Sul e que já foi condenada por sucessivos papas, sobretudo na sua vertente mais extrema e política.

Mas o bispo Livieres Plano também tinha estado no centro de outra polémica, quando se tornou público que tinha recebido na sua diocese outro padre natural da Argentina mas que tinha sido expulso da sua anterior diocese, em Scranton, nos EUA, por alegados abusos sexuais sobre menores.

Em declarações ao Catholic News Service, porém, o director da Sala de Imprensa da Santa Sé, o padre Federico Lombardi, negou que o caso do padre Carlos Urrutigoity tenha sido a causa principal. “Livieres não foi removido por razões de pedofilia. Esse não foi o problema principal. Houve problemas graves com a gestão da diocese, a educação do clero e as relações com outros bispos”, disse o padre Lombardi.

Embora tenha recusado entrar em detalhes, o sacerdote referiu a existência de diferenças de opinião com os outros bispos sobre a educação dos seminaristas e recordou uma entrevista à televisão, ainda este ano, em que Livieres acusava outro bispo de ser homossexual.

Lombardi negou também a tese de perseguição ideológica, considerando a acusação ingénua: “É absolutamente redutor interpretar esta decisão como sendo de alguma forma limitada à questão da teologia da libertação”, considerou.