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Francisco na Albânia com discurso para o mundo islâmico

21 set, 2014 • Filipe d’Avillez

“Viva a Albânia! Viva o Papa!”, as palavras que eram proferidas pelos sacerdotes executados pelo regime comunista fizeram-se ouvir novamente este domingo, mas agora com alegria e esperança.  

Francisco na Albânia com discurso para o mundo islâmico
Francisco na Albânia com discurso para o mundo islâmico
A convivência inter-religiosa é possível, mesmo nos países de maioria islâmica, realçou este domingo o Papa Francisco.  Numa visita de apenas um dia à Albânia, o Papa levou uma mensagem de esperança para todo o mundo, numa altura em que existem focos de conflito em muitos países de maioria islâmica, como a Síria, o Iraque e a Nigéria, com perseguições impiedosas às minorias religiosas, incluindo os cristãos.
A convivência inter-religiosa é possível, mesmo nos países de maioria islâmica, realçou este domingo o Papa Francisco.

Numa visita de apenas um dia à Albânia, que fica a uma curtíssima distância de Itália, o Papa levou uma mensagem de esperança para todo o mundo, numa altura em que existem focos de conflito em muitos países de maioria islâmica, como a Síria, o Iraque e a Nigéria, com perseguições impiedosas às minorias religiosas, incluindo os cristãos.

Num primeiro discurso, na chegada ao país e na presença do Presidente da Albânia, o Papa sublinhou o clima de sã convivência inter-religiosa naquele país, dizendo que os casos de perseguição e conflito se devem a “deturpações”.

“Ninguém pense em poder tomar a Deus por escudo, enquanto projecta e comete actos de violência e vexação! Ninguém tome a religião como pretexto para as suas acções contrárias à dignidade do homem e aos seus direitos humanos fundamentais, principalmente o direito de todos à vida e à liberdade religiosa!”

“O clima de respeito e mútua confiança entre católicos, ortodoxos e muçulmanos é um bem precioso para o país e adquire uma relevância especial neste nosso tempo em que é deturpado, por parte de grupos extremistas, o autêntico sentido religioso e são distorcidas e manipuladas as diferenças entre as várias confissões, fazendo daquelas um perigoso factor de conflito e violência, em vez de ocasião de diálogo aberto e respeitoso e de reflexão comum sobre o que significa crer em Deus e seguir a sua lei”, afirmou.

São palavras proferidas na Albânia, mas com a mente e o coração certamente no Médio Oriente, onde tão recentemente centenas de milhares de cristãos e membros de outras minorias religiosas foram obrigados a fugir das suas casas perante o avanço e as ameaças do grupo terrorista Estado Islâmico, com muitos a perecer ás mãos dos islamitas.

Antes de o Papa falar foi tempo de ouvir o presidente da Albânia, Bujar Nishani, que também sublinhou a característica de convivência inter-religiosa entre a maioria muçulmana e a minoria cristã do seu país.

Nishani louvou também o exemplo e o contributo dos cristãos na história da Albânia, realçando madre Teresa de Calcutá, que não tendo nascido na Albânia era etnicamente albanesa, e o grande herói da independência albanesa, Skanderbeg. Mas falou também do exemplo dos muitos padres católicos que foram fuzilados pelo regime comunista, que dominou o país durante 50 anos e que morriam gritando: “Viva a Albânia! Viva o Papa!”

Palavras que ressoam este domingo, desta vez em circunstâncias mais felizes, na visita de Francisco a um dos poucos países europeus de maioria muçulmana.