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“As nossas necessidades não são mais urgentes do que as dos pobres”

03 ago, 2014 • Filipe d’Avillez

Papa Francisco convida os fiéis a não olhar para o outro lado quando confrontados com os pobres. “Esta é uma forma educada de dizer arranja-te a ti mesmo. Não é de Jesus, é egoísmo”.

“As nossas necessidades não são mais urgentes do que as dos pobres”
“As nossas necessidades não são mais urgentes do que as dos pobres”
Papa Francisco convida os fiéis a não olhar para o outro lado quando confrontados com os pobres. “Esta é uma forma educada de dizer arranja-te a ti mesmo. Não é de Jesus, é egoísmo”.
O Papa Francisco disse este domingo que as necessidades dos pobres são mais urgentes que as “nossas”, por mais legítimas que sejam.

Falando na praça de São Pedro, diante de uma multidão de fiéis, incluindo muitos com bandeiras da Palestina, o Papa reflectiu sobre a passagem do Evangelho que narra a multiplicação dos pães.

Segundo o Evangelho, quando os discípulos viram que a multidão que os seguia era grande e que não havia comida suficiente para todos, sugeriu a Cristo mandar cada um para sua casa. Mas Cristo diz aos discípulos para serem eles a alimentar o povo.

Francisco realçou a diferença entre as atitudes de Jesus e dos apóstolos: “Os discípulos pensam com os critérios do mundo, por isso, cada um só pensa em si próprio. Reagem como se dissessem aos pobres desenrasquem-se sozinhos. Pelo contrário, Jesus pensa segundo a lógica de Deus que é a da partilha”.

"Quantas vezes, nós viramos a cara para o outro lado para não ver os irmãos necessitados. E isto – olhar para o outro lado – é um modo educado de dizer, com luvas brancas, desenrasquecem-se sozinhos. Isto não é de Jesus, isto é egoísmo.”

Para o Papa, falta olhar directamente para os pobres e ver neles homens, mulheres e crianças reais, com necessidades: “Falamos muito dos pobres mas, quando falamos dos pobres, sentimos que aquele homem, aquela mulher, aquela criança, não têm o necessário para viver? Que não têm que comer, nem que vestir, que não têm a possibilidade de ter remédios, nem as crianças têm a possibilidade de ir à escola?"

“Por isto, as nossas necessidades, por mais legítimas que sejam, não são mais importantes que as necessidades dos pobres que não têm o necessário para viver”, concluiu o Santo Padre.

Apesar da presença de muitas pessoas com bandeiras da Palestina, o Papa não referiu a situação em Gaza, depois de na semana passada ter feito uma apelo emocionado para o fim da violência naquele território.