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Blandina Segale. A freira que até Billy the Kid respeitava

30 jun, 2014 • Filipe d’Avillez

Blandina Segale pode vir a ser santa. Nasceu em Itália, mas foi no faroeste que se tornou famosa e viveu as mais fantásticas aventuras.  

Blandina Segale. A freira que até Billy the Kid respeitava
O pânico do condutor da carruagem deu lugar a espanto quando, naquela tarde, um homem a cavalo que se tinha aproximado do coche, em vez de retirar a arma para exigir o dinheiro dos passageiros, levou a mão ao chapéu em sinal de respeito e seguiu o seu caminho.

Havia razão para temer. Billy the Kid, um dos mais perigosos criminosos do faroeste americano, tinha estado em actividade perto daquele local, assaltando inúmeras carruagens. O criminoso era conhecido por não temer nem respeitar ninguém. Ou quase ninguém. Naquele coche viajava Blandina Segale, a freira católica cuja mera presença o levou a desistir da sua intenção.

Para compreender este caso é preciso recuar no tempo, algo que apenas é possível graças aos diários e às cartas que Segale escrevia, narrando as suas aventuras no Oeste americano, tão distante da Itália onde nasceu e de onde emigrou, aos quatro anos, com a família.

Lá encontramos outra história envolvendo o famoso Billy the Kid. Quando um dos seus camaradas foi baleado por outro fora da lei, na vila de Trinidad, onde Segale trabalhava, os quatro médicos locais recusaram-se a ajudá-lo.

Correu a notícia de que o “Kid” estava a caminho para se vingar dos médicos, mas Segale interveio e tratou o homem, permitindo que sobrevivesse. Ao chegar à vila, Billy deu com o seu amigo vivo e agradeceu à freira, perguntando-lhe se podia fazer algo por ela. “Sei que vieste para matar os nossos médicos. Peço-te que desistas dessa intenção”, exigiu.

Billy the Kid consentiu, fixando a cara da mulher que, essa sim, mostrava não temer ninguém, e mais tarde, naquela carruagem prestes a ser assaltada, reconheceu-a e, mais uma vez, desistiu da sua intenção.

Estas são apenas duas das aventuras de Blandina Segale, cujo processo de canonização acaba de ser aberto pelo Vaticano. A diocese do Novo México, onde existem muitas das instituições caritativas que a freira fundou, acredita que no futuro a mulher destemida pode mesmo subir aos altares.

Em causa não está, naturalmente, a sua relação com Billy the Kid, mas sim a sua fama de santidade e disponibilidade para com os pobres e mais desprotegidos, o que na altura incluía emigrantes, indígenas e órfãos.