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Muçulmanos britânicos fazem campanha contra mutilação genital feminina

24 jun, 2014

Nos panfletos pode ler-se que esta prática não é um requisito islâmico, não existindo referências no Alcorão nem nos ditos de Maomé ou na tradição.

A maior organização muçulmana do Reino Unido lançou uma campanha contra a mutilação genital feminina, ou excisão genital feminina, como também é conhecida a prática.

De acordo com o Conselho Muçulmano Britânico (CMB), esta não é uma prática islâmica e contradiz mesmo um dos principais preceitos do Islão, de não causar danos físicos a ninguém.

Esta é a primeira vez que o CMB emite indicações sobre esta prática. A mutilação genital feminina é praticada sobretudo em alguns países muçulmanos e também, no ocidente, entre as comunidades imigrantes desses mesmos países. Frequentemente são invocadas razões religiosas ou de tradição.

A África sub-sahariana e alguns países do Médio Oriente são os mais atingidos e calcula-se que cerca de 125 milhões de mulheres são afectadas pela tradição, que pode levar a graves problemas psicológicos e físicos, incluindo a morte.

A CMB vai enviar panfletos para as mais de 500 mesquitas que pertencem à organização, bem como centros comunitários de localidades com grande concentração de muçulmanos.

Nos panfletos pode ler-se que a mutilação genital feminina não é um requisito islâmico e que não existem referências à sua pática no Alcorão nem nos ditos de Maomé ou na tradição. “A mutilação genital feminina está a dar má fama ao Islão”, alertam os responsáveis da CMB, que avisam ainda que há cada vez mais possibilidades haver consequências legais para quem continuar a praticar a mutilação.