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Sudanesa condenada à morte por recusar Islão vai ser libertada

31 mai, 2014

Meriam Ibrahim foi presa em Janeiro, quando estava grávida. De acordo com a lei sudanesa, a mulher tinha dois anos para amamentar a filha, até ser executada.

A sudanesa Meriam Ibrahim, condenada à morte por alegadamente ter renunciado ao Islão e ter cometido adultério, vai ser libertada. A informação foi confirmada por fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, citada pela agência Reuters.

O secretário de Estado daquele Ministério não avançou datas para a libertação mas disse esperar que seja em breve. O governante garantiu ainda que o Sudão garante a liberdade religiosa e que está empenhado em proteger a vida da mulher.

A história de Meriam Ibrahim chegou à imprensa mundial em meados de Maio, quando um tribunal considerou que a mulher, na altura grávida, era culpada daqueles dois crimes.

Segundo o tribunal sudanês, Ibrahim é muçulmana, uma vez que essa era a religião do seu pai. No entanto, a condenada argumenta que o pai a abandonou ainda em criança e que foi criada como cristã pela sua mãe, que é etíope, fiel da Igreja Ortodoxa daquele país.

O tribunal recusou a defesa de Meriam e deu-lhe várias oportunidades para renunciar ao Cristianismo, coisa que ela sempre recusou.

Mais, o tribunal concluiu que, por supostamente ser muçulmana, o seu casamento com um homem cristão não era válido, pelo que a considerou culpada também de adultério.

Os apelos da comunidade internacional para que Meriam Ibrahim seja libertada tinham sido, até agora, ignorados pelo Governo do Sudão. A mulher deu, entretanto, à luz. De acordo com as normas em vigor, Meriam tinha dois anos para amamentar a sua filha, até ser executada.