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“Amados irmãos” abraçam-se e rezam pelos cristãos perseguidos

25 mai, 2014 • Filipe d’Avillez

Na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, o Papa volta a falar do conceito de “ecumenismo de sangue”, “que possui uma eficácia particular para toda a Igreja”.

“Amados irmãos” abraçam-se e rezam pelos cristãos perseguidos
“Amados irmãos” abraçam-se e rezam pelos cristãos perseguidos
Francisco cumpriu este domingo o seu sonho de repetir o histórico abraço entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, há 50 anos. Num encontro na Igreja do Santo Sepulcro, o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla, rezaram juntos pela unidade, pela paz e pelos cristãos perseguidos.
Francisco cumpriu este domingo o seu sonho de repetir o histórico abraço entre um Papa e um Patriarca de Constantinopla, em plena Jerusalém, 910 anos depois do cisma que separou as duas igrejas.

Num encontro na Igreja do Santo Sepulcro, que contou também com a presença do líder da Igreja Arménia em Jerusalém e do líder do Patriarcado Greco-Ortodoxo de Jerusalém, o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla, rezaram juntos pela unidade, pela paz e pelos cristãos perseguidos. 

O Papa não deixou que a emoção do momento o distraísse dos obstáculos que existem pela frente: “Não podemos negar as divisões que ainda existem entre nós, discípulos de Jesus: este lugar sagrado faz-nos sentir o drama com maior sofrimento. E, no entanto, à distância de cinquenta anos do abraço daqueles dois veneráveis Padres, reconhecemos com gratidão e renovada admiração como foi possível, por impulso do Espírito Santo, realizar passos verdadeiramente importantes rumo à unidade.”

“Estamos cientes de que ainda falta percorrer mais estrada para alcançar aquela plenitude da comunhão que se possa exprimir também na partilha da mesma mesa eucarística, que ardentemente desejamos”, afirmou Francisco.

A comunhão eucarística é a expressão máxima da unidade para católicos e para ortodoxos. Actualmente, devido ao facto de as igrejas estarem separadas, um católico não pode comungar numa igreja ortodoxa, e vice-versa.

Mas, para o Papa, este não é motivo de desespero: “mas as divergências não devem assustar-nos e paralisar o nosso caminho. Devemos acreditar que, assim como foi removida a pedra do sepulcro, assim também poderão ser removidos todos os obstáculos que ainda impedem a plena comunhão entre nós.”

Tal como já tinha feito noutras ocasiões, ao falar do drama dos cristãos perseguidos, que é particularmente grave no Médio Oriente, Francisco referiu o conceito de ecumenismo de sangue: “Quando cristãos de diferentes confissões se encontram a sofrer juntos, uns ao lado dos outros, e a prestar ajuda uns aos outros com caridade fraterna, realiza-se o ecumenismo do sofrimento, realiza-se o ecumenismo do sangue, que possui uma eficácia particular não só para os contextos onde o mesmo tem lugar, mas, em virtude da comunhão dos santos, também para toda a Igreja”.

"Abramos o nosso coração"
O Papa terminou o seu discurso apelando a um renovado esforço no sentido de restaurar a unidade entre os cristãos: “Ponhamos de parte as hesitações que herdámos do passado e abramos o nosso coração à acção do Espírito Santo, para caminharmos, juntos e ágeis, rumo ao dia abençoado da nossa reencontrada plena comunhão. Neste caminho, sentimo-nos sustentados pela oração que o próprio Jesus, nesta Cidade, na véspera da sua paixão, morte e ressurreição, elevou ao Pai pelos seus discípulos e que humildemente não nos cansamos de fazer nossa: ‘Que todos sejam um só, para que o mundo creia’”.

Actualmente existem vários ramos de Cristianismo que não estão em comunhão entre si.

A Igreja Católica é a maior, com mais de mil milhões de fiéis, seguida da comunhão ortodoxa bizantina, com cerca de 300 milhões de fiéis, da qual o Patriarca de Constantinopla, é o “primus inter pares”.

A Comunhão Anglicana vem de seguida, com cerca de 200 milhões de fiéis.

Por fim, encontra-se a Comunhão Ortodoxa oriental, que se separou na altura do Concílio de Calcedónia, e que abrange as igrejas copta, etíope e arménia, entre outras. Existem ainda milhões de protestantes, divididos em centenas de confissões e igrejas diferentes, mas que não estão todas em comunhão.