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Líder político no Canadá não aceita candidatos pró-vida no seu partido

09 mai, 2014

Justin Trudeau diz que considera o aborto um “direito fundamental” das mulheres e que se o Canadá decidir restringi-lo, apoiaria a independência do Quebeque.

O líder do Partido Liberal, Justin Trudeau, afirmou esta semana que o seu partido não aceitará a candidatura de opositores ao aborto nas eleições de 2015.

Trudeau foi até mais longe e disse que os deputados que já representam o Partido Liberal e que são pró-vida, que não vão ser obrigados a sair, poderão ser obrigados a votar a favor do aborto caso o tópico surja de novo nos debates parlamentares.

“Já deixei claro que futuros candidatos têm de compreender que esperamos que votem pró-escolha em qualquer debate. Os deputados existentes serão respeitados, até certo ponto, nas suas escolhas. Mas a nossa posição enquanto partido é que não vamos reabrir esse debate”, afirmou.

“Para mim, o direito à escolha de uma mulher é um direito fundamental”, disse ainda Trudeau. O suposto “direito” à escolha não é definido como direito fundamental em qualquer documento internacional ou sequer do Canadá, ao contrário do direito à liberdade de consciência e de religião, que é reconhecido tanto na declaração dos Direitos Humanos da ONU como na Carta Canadiana dos Direitos e Liberdades.

Trudeau, cujo pai Pierre foi também líder do Partido Liberal e Primeiro-ministro do Canadá durante um total de quinze anos, é considerado um extremista em assuntos morais, tendo chegado a afirmar, no passado, que apoiaria a secessão do Quebeque, de onde vem a sua família, no caso de o Canadá “regredir” em assuntos como o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou o aborto livre.

A afirmação foi considerada chocante, na medida em que o seu pai, apesar de ser francófono, foi um dos principais opositores da independência daquele estado canadiano, precisamente nos anos 60 e 70, quando o movimento separatista estava no seu auge.