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Vaticano condena rapto de mais de 200 adolescentes na Nigéria

08 mai, 2014 • Ecclesia

Director da sala de imprensa do Vaticano, padre Federico Lombardi, fala em acto de “terrorismo odioso”.

Vaticano condena rapto de mais de 200 adolescentes na Nigéria
O porta-voz do Vaticano condenou esta quinta-feira o rapto de mais de 200 adolescentes na Nigéria, reivindicado pelo grupo islâmico Boko Haram, e disse que se trata de um acto de “terrorismo odioso”.

“Unimo-nos aos inúmeros apelos pela sua libertação e a sua restituição a uma condição normal de vida”, disse aos jornalistas o padre Federico Lombardi.

O grupo islamita reivindicou na segunda-feira o sequestro das jovens, ocorrido a 14 de Abril, e ameaçou vendê-las como escravas. Às 223 meninas que, segundo as autoridades, continuam sequestradas soma-se 11 menores raptadas pelo Boko Haram no último domingo, segundo um novo balanço comunicado nesta quarta-feira.

O padre Lombardi afirmou que estas acções “soma-se a outras formas horríveis de violência que há muito tempo caracterizam a actividade deste grupo” no país africano.

“A negação de qualquer respeito pela vida e pela dignidade das pessoas, mesmo as mais inocentes, vulneráveis e indefesas, exige a condenação mais firme e suscita a compaixão mais sentida pelas vítimas, o horror pelos sofrimentos físicos e espirituais e as humilhações inacreditáveis que lhes são infligidas”, afirmou o director da sala de imprensa da Santa Sé.

Estados Unidos da América, Reino Unido e França ofereceram a sua ajuda à Nigéria, num momento em que decorre uma campanha internacional pela libertação das menores.

“Esperamos e rezamos para que a Nigéria, graças ao compromisso de todos os que podem contribuir para isso, encontre o caminho para pôr ponto final a uma situação de conflito e terrorismo odioso, fonte de dores incalculáveis”, concluiu o porta-voz do Vaticano.

Num vídeo, o líder dos Boko Haram, Abubakar Shekau, afirma que vai vender as adolescentes, com idades entre os 12 e os 18 anos, porque entende que o destino das mulheres é casar e não estudar.

A Nigéria tem sido palco de vários atentados contra as comunidades cristãs, na sua maioria reivindicados pelo grupo fundamentalista islâmico Boko Haram, nome em língua hausa que significa “a educação ocidental é pecaminosa”, que pretende a implementação da lei islâmica, a sharia.

O Ignatius Kaigama, presidente da Conferência Episcopal Nigeriana, disse à Rádio Vaticano que se está perante uma tragédia de "enormes proporções. Apelamos a este grupo terrorista para que não faça mal às jovens, para que as liberte imediatamente e as devolva aos seus pais", declarou.