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Neo-pagão queria matar judeus mas atingiu três cristãos por engano

15 abr, 2014 • Filipe d’Avillez

O neo-paganismo tem aumentado em muitas partes do mundo e tem particular adesão entre grupos que advogam a supremacia branca, pelas suas ligações aos antigos povos germânicos da Europa.  

Neo-pagão queria matar judeus mas atingiu três cristãos por engano
O homem suspeito de matar três pessoas no passado domingo estaria a tentar iniciar uma “guerra racial” e tinha por objectivo tirar a vida aos judeus que tanto odiava.

Mas Frazier Glenn Cross, um defensor da supremacia da raça branca e feroz anti-semita, enganou-se e as três pessoas que morreram às suas mãos acabaram por ser cristãos.

Cross, de 73 anos, era uma figura conhecida pelas suas posições radicais. Já tinha fundado um núcleo local da organização racista Ku Klux Klan e no domingo foi propositadamente a dois locais judaicos para procurar as suas vítimas.

Os primeiros dois mortos foram um médico e o seu neto. O avô tinha levado o rapaz de 14 anos a participar na audição de um concurso de música, que tinha lugar no Centro Cultural Judaico de Overland Park, no Kansas. Ambos eram cristãos devotos.

De lá, Cross seguiu para uma residência assistida, também judaica, onde atingiu a tiro Terri LaManno, outra cristã, que tinha ido visitar a sua mãe que lá se encontra a viver.

Neo-pagão
Ao contrário do que chegou a ser noticiado, Frazier Glenn Cross não é cristão. Numa biografia publicada em 1999, “Um homem branco fala”, Cross define-se como devoto de Odin, o deus dos povos germânicos.

Um trecho dessa biografia, publicado pela CNN, revela bem as suas preferências religiosas e o desprezo que sente pelo Cristianismo: “Adoraria ver os 100 milhões de cristãos arianos da América do Norte a converterem-se à religião inventada pela sua própria raça, praticada durante mil gerações, até que os judeus inventaram o Cristianismo”.

O neo-paganismo tem aumentado em muitas partes do mundo e tem particular adesão entre grupos que advogam a supremacia branca, pelas suas ligações aos antigos povos germânicos da Europa.