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D. Manuel Clemente

Cristãos não são “envergonhados” perante problemas do país

26 mar, 2014 • José Carlos Silva

D. Manuel Clemente participou numa conferência sobre o "Pensamento Social Cristão", onde Manuela Ferreira Leite, também presente, apelou à intervenção dos cristãos na defesa dos valores em que acreditam.

Cristãos não são “envergonhados” perante problemas do país
Cristãos não são “envergonhados” perante problemas do país
O Patriarca de Lisboa garantiu esta quarta-feira, durante um coloquio na Universidade Católica, que os cristãos portugueses não são nem “envergonhados”, nem “tímidos” perante os problemas do país. “Temos até cristãos desassombrados”, afirmou D. Manuel Clemente.

“A nós, bispos, compete manter os grandes princípios que vêm do Evangelho, mas encontramos leigos, nas diversas instâncias da vida social, económica e empresarial, que se têm pronunciado, ou pessoalmente, ou através de instituições ou associações”, apontou o Patriarca, na conferência “O Lugar do Pensamento Social Cristão na Construção da Cidade”.

“Estou a lembrar-me, por exemplo, no que diz respeito à vida empresarial, da ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores); no que diz respeito à vida operária, da Acção Católica Operária, com diversos pronunciamentos. E assim é que faz sentido, porque há aqui um pluralismo de opções face a uma situação que é complexa e complicada, que permite vários tipos de pronunciamento e várias abordagens para um assunto”, sublinhou D. Manuel Clemente.

No mesmo encontro, a ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite afirmou que vivemos sobre o domínio dos “mercados financeiros” e não dos valores, e que, por isso mesmo, faz sentido a intervenção de quem é cristão na defesa dos valores em que acredita.

“É exactamente nos momentos difíceis - e quando se pode admitir a hipótese de que alguns dos princípios básicos do nosso pensamento estejam em causa - que se exige que aqueles que perfilham determinados valores e determinados princípios se apresentem a defendê-los”, defendeu a economista.

“A frieza dos números e dos valores opõem-se a estes valores. A política económica é por definição uma política de natureza social, e é evidente que nós, hoje, vivemos sob o primado dos mercados. E o mercado é dinheiro. Não é valores nem alma”, rematou.