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Bispos da UE

"Temos demasiado a perder se o projecto europeu descarrilar"

20 mar, 2014 • Ecclesia

Comissão dos Episcopados Católicos publica declaração para as eleições de Maio, pedindo participação dos cidadãos e defesa do "projecto" comunitário.

A Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE) publicou hoje uma declaração para as próximas eleições europeias, que vão decorrer em Maio, pedindo a participação dos cidadãos e a defesa do “projecto” comunitário.

“Nós, bispos católicos, apelamos a que o projecto europeu não seja posto em risco ou abandonado na presente situação de dificuldades. É essencial que todos nós – políticos, candidatos, todos os interessados – contribuamos de forma construtiva para moldar o futuro da Europa”, refere o documento.

As eleições para o Parlamento Europeu vão decorrer em Portugal no próximo dia 25 de Maio, por decisão do Presidente da República, anunciada quarta-feira.

"Temos demasiado a perder se o projecto europeu descarrilar. É essencial que todos nós, cidadãos europeus, compareçamos nas urnas de 22 a 25 de Maio", alerta a COMECE.

Os responsáveis católicos pedem que os candidatos a eurodeputados "estejam cientes dos danos colaterais da crise económica e bancária iniciada em 2008".

A COMECE convida ao debate sobre as "questões socioeconómicas centrais" que irão moldar a União nos próximos anos e lembra os milhões de jovens cidadãos que vão votar pela primeira vez, "estudantes, no mercado de trabalho ou, muitos, infelizmente, desempregados". 

"É essencial que os cidadãos da UE participem no processo democrático, por meio do seu voto no dia das eleições. Quanto mais forte a participação eleitoral, mais forte sairá o novo Parlamento", sublinham os bispos.

Aprender a viver com menos
A mensagem recorda o aumento de "novos pobres" e defende a promoção de uma "cultura de moderação" que deve “inspirar a economia social de mercado e a política ambiental”.

"Temos de aprender a viver com menos e procurar que as pessoas em situação de pobreza real participem de uma forma mais equitativa na distribuição dos bens", pode ler-se.

A COMECE retoma algumas das convicções fundamentais da Igreja Católica, frisando que "a vida humana deve ser protegida desde o momento da concepção até à morte natural" e que a família "deve gozar também da protecção de que necessita".

A declaração elenca temas como o drama dos imigrantes, a necessidade de proteger o meio ambiente, a defesa da liberdade religiosa e do descanso dominical, as alterações demográficas e a crise económica. 

A COMECE está reunida em assembleia plenária, até sexta-feira, em Bruxelas. Os trabalhos foram inaugurados pelo presidente do organismo, o cardeal alemão Reinhard Marx, que lembrou a necessidade de dar um "fundamento ético à política" e destacou os desafios levantados à UE pela actual crise nas relações Ucrânia-Rússia.