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Patriarcado de Moscovo condena crimes de Yanukovich

25 fev, 2014 • Filipe d’Avillez

Bispos da Igreja fiel a Moscovo dão sinais claros de uma abertura a colaborar com o novo regime.  

A Igreja Ortodoxa da Ucrânia, que obedece ao Patriarcado Ortodoxo de Moscovo, condenou os crimes do Governo de Yanukovich que levaram à morte de perto de uma centena de manifestantes.

Numa reunião realizada na segunda-feira, os hierarcas da Igreja ucraniana asseguraram ainda o povo das suas orações pelas vítimas e prometeram cuidar dos feridos.

A notícia surge dias depois de o Patriarca Cirilo, de Moscovo, ter rezado de joelhos pela pacificação da Ucrânia e apelando à unidade dos cristãos naquele país.

A posição da Igreja fiel a Moscovo é de particular importância uma vez que ela é maioritária sobretudo nas regiões orientais da Ucrânia onde Yanukovich tinha a sua base de apoio.

A Ucrânia tem três principais igrejas cristãs. A Igreja Ortodoxa fiel a Moscovo, uma Igreja Ortodoxa fiel ao Patriarcado de Kiev, que não é reconhecida pelas restantes igrejas da comunhão ortodoxa, e por fim a Igreja Greco-Católica da Ucrânia, que segue a liturgia oriental, praticamente idêntica à dos ortodoxos, mas está em comunhão com Roma.

Durante as manifestações que levaram à destituição de Yanukovich a Igreja do Patriarcado de Kiev e a Igreja Greco-Católica tomaram posição pública contra o Governo, mas a Igreja de Moscovo, apesar dos apelos à paz, não se envolveu tão profundamente.

Com estas declarações a distanciarem-se de Yanukovich os bispos da Igreja fiel a Moscovo dão sinais claros de uma abertura a colaborar com o novo regime, descredibilizando ainda mais o antigo Presidente.

Noutra medida tomada na segunda-feira, o sínodo da Igreja Ucraniana do Patriarcado de Moscovo elegeu um novo líder interino, o arcebispo Onófrio, uma vez que o actual metropolita Vladimiro se encontra hospitalizado. O novo líder é conhecido por ser uma pessoa aberta ao diálogo com a Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Kiev, o que poderá contribuir para uma melhoria das relações tensas entre as diferentes igrejas ortodoxas a operar no país.

Entretanto esta terça-feira o líder da Igreja Greco-Católica, o patriarca Sviatoslav Schevchuk, que se encontra de visita a Roma, pediu ao Ocidente que mantenham os olhos e as atenções sobre a Ucrânia, dizendo que os acontecimentos recentes deixam o país vulnerável a mais violência e divisão. "Aquilo que se passa na Ucrânia tocar-vos-á. A Ucrânia é parte da Europa e quando todos continuarem a fingir que tudo está bem, as coisas não só piorão no leste da Europa, mas haverá uma perda de confiança nos valores europeus no Ocidente também. O perigo de um dos nossos vizinhos provocar uma guerra civil na Ucrânia ainda não passou. Esta solidariedade internacional, esta atenção, é de extrema importância para a Ucrânia."