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Nações Unidas exigem que Vaticano afaste suspeitos de abusos

05 fev, 2014

Entre outras recomendações, a ONU sugere que o Vaticano deixe de punir o aborto com excomunhão e que instituições católicas ofereçam serviços contraceptivos.

Nações Unidas exigem que Vaticano afaste suspeitos de abusos
As Nações Unidas exigem ao Vaticano que afaste imediatamente todos os membros do clero que sejam culpados ou suspeitos de abusos a crianças e os denuncie às autoridades civis.

Num relatório divulgado esta quarta-feira, a ONU pede também que o Vaticano abra os seus arquivos às autoridades civis para que possam ser responsabilizados todos os culpados por abusos infantis e quem os tenha encoberto.

O documento é da autoria do comité das Nações Unidas para a protecção dos direitos das crianças, que no mês passado ouviu responsáveis do Vaticano.

“O comité está profundamente preocupado pelo facto de a Santa Sé não ter reconhecido a extensão dos crimes cometidos, não ter tomado as medidas necessárias para lidar com os casos de abuso sexual de crianças, por ter adoptado medidas e práticas que levaram à continuação dos abusos e à impunidade dos abusadores”, lê-se no relatório citado pela agência Reuters.

Nas audições do mês passado, a delegação da Santa Sé negou as acusações de encobrimento e garantiu que foram tomadas medidas claras no sentido de proteger crianças e afastar abusadores, reconhecendo todavia que tinha havido falhas e que havia um esforço de melhorar a resposta.

O representante da Santa Sé que esteve perante o comité explicou ainda que o Vaticano não pode ser responsabilizado pela forma como os bispos locais tratam os assuntos nas suas dioceses, envolvendo os seus padres.

O relatório não se cinge à questão dos abusos de menores por membros da Igreja, fazendo recomendações relativas a outros temas. Por exemplo, no seu artigo 55º, o painel de peritos sugere que o Vaticano altere o Código de Direito Canónico, acabando com a pena de excomunhão automática para quem, conscientemente, participa na prática de um aborto. Noutro ponto, sugere que instituições católicas deviam oferecer serviços de planeamento familiar, incluindo contraceptivos.

A Santa Sé deve reagiu ao relatório comprometendo-se a continuar a fazer esforços para proteger melhor as crianças, mas lamentando a ingerência da ONU em ensinamentos da Igreja em questões de vida e de liberdade religiosa.