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"Baptismo não é privilégio para pais exemplares", dizem bispos

14 jan, 2014 • Filipe d'Avillez

A questão tem sido falada desde que o Papa Francisco baptizou, no passado Domingo, várias crianças, entre elas uma de mãe solteira e uma de pais casados apenas pelo civil.

"Baptismo não é privilégio para pais exemplares", dizem bispos
Não há qualquer razão para não baptizar crianças filhas de mães solteiras ou de pais que não estejam casados pela Igreja, consideram os bispos portugueses.

“O baptismo não é um privilégio, nem uma condecoração dada a pais exemplares. É uma graça concedida a todos os que desejam ser baptizados, se já forem maiores de idade, ou aos pais que desejam que seja baptizado na Igreja e garantem minimamente a educação segundo a doutrina católica”, disse o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), no final da reunião do Conselho Permanente, realizada esta terça-feira, em Fátima

A questão tem sido falada desde que o Papa baptizou, no domingo, várias crianças, entre elas uma filha de mãe solteira e ooutras de pais casados somente pelo civil.

O padre Manuel Morujão, diz que esta prática nem devia causar surpresa. “É normal e não deveria ser considerado excepcional. A Igreja é aberta a todos e inclusiva. Certamente, tem regras, mas o bom acolhimento é fundamental em qualquer situação”, sublinhou.

“Se, alguma vez, as portas não se abrem, não é por estarem encerradas, segundo a doutrina oficial da Igreja e o proceder do próprio Papa”, disse Morujão, afiormando que essas situações decorrem de “interpretações demasiado restritivas”.

Cada diocese tem as suas próprias normas que regulam a administração dos sacramentos, incluindo o baptismo. No caso do Patriarcado de Lisboa essas normas são claras: “A atitude dos pastores deve ser acolhedora para quem pede o Baptismo. O Pároco deve certificar-se que existe a intenção credível de garantir à criança baptizada, a seu tempo, a educação cristã, através da catequese pós-baptismal.”

Mesmo quando estas condições não existem, as normas nunca falam em recusa, mas sim em diferimento da celebração: “Quando esta garantia não existe, deve-se diferir o Baptismo, explicando aos pais as razões desse diferimento. Deve-se iniciar, nesse momento, um contacto pastoral no evoluir da situação. O acolhimento pastoral é importante, não se limitando a impor regras disciplinares. Compete ao Pároco discernir do momento em que as condições para administrar o Baptismo estão criadas”, pode ler-se no documento disponível no site do Patriarcado de Lisboa.