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"Não houve qualquer exclusão" por D. Manuel não ter sido nomeado cardeal

14 jan, 2014

Porta-voz dos bispos aponta para o caso do Patriarca de Veneza, que também não foi nomeado cardeal pelo Papa Francisco.

"Não houve qualquer exclusão" por D. Manuel não ter sido nomeado cardeal
O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) desdramatizou esta terça-feira o facto de D. Manuel Clemente não ter sido nomeado cardeal pelo Papa Francisco. Segundo o padre Manuel Morujão, a escolha seria mais simples se fosse por uma questão de mérito pessoal, mas a prática de não ter dois cardeais eleitores da mesma diocese tem sido seguida nos últimos tempos. 

"Pelos méritos do senhor Patriarca D. Manuel Clemente, seria sem dúvida de esperar que ele fosse nomeado cardeal. Mas, por outro lado, há regras e uma que a Santa Sé tem adoptado ultimamente é que quando há um cardeal eleitor numa diocese, não é nomeado outro", explicou o porta-voz da CEP, em Fátima.

O padre Morujão referia-se a D. José Policarpo, Patriarca emérito de Lisboa, que cumpre 78 anos em Fevereiro e tem, por isso, mais dois anos como eleitor num eventual conclave. 

Situação diferente é o caso da transferência de um cardeal para outra diocese. Esta situação ocorreu, por exemplo, em Milão, onde neste momento coexistem dois cardeais eleitores: o cardeal titular Angelo Scola e o cardeal emérito Dionigi Tettamanzi, de 79 anos. Acontece que Angelo Scola já era cardeal no momento em que lhe foi confiada a nova diocese - foi nomeado cardeal em 2003 e transferido para Milão em 2011.   

O padre Manuel Morujão invocou ainda o exemplo de Veneza. "A Santa Sé fez o mesmo que fez no caso do Patriarca de Veneza, que tem o mesmo estatuto de Patriarca e também não o nomeou cardeal. Não houve qualquer exclusão - houve o cumprir de uma regra ultimamente seguida na Igreja Católica."

As declarações do padre Manuel Morujão seguiram-se à reunião do conselho permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, que decorreu esta terça-feira em Fátima.

O Papa Francisco nomeou 19 novos cardeais no passado domingo, 16 dos quais com menos de 80 anos e que, por isso, têm o estatuto de eleitores. Na lista encontra-se o Arcebispo D. João Orani Tempesta, do Rio de Janeiro, mas não o actual Patriarca de Lisboa.