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Anglicanos abandonam “demónio” e “pecado” no rito de baptismo

07 jan, 2014

O bispo Michael Nazir Ali, de origem paquistanesa, considera que a Igreja devia explicar os conceitos difíceis em vez de os eliminar.

Anglicanos abandonam “demónio” e “pecado” no rito de baptismo

A Igreja de Inglaterra decidiu pôr em prática um projecto-piloto que altera o rito do baptismo, com o objectivo de o tornar mais “culturalmente apropriado” com uma “linguagem mais acessível”.

Com o novo rito - ainda não oficialmente aprovado, mas que está a ser usado em cerca de 400 paróquias e conta com o apoio do Arcebispo de Cantuária -, os padrinhos e pais do baptizando, presumindo tratar-se de uma criança, deixam de renunciar ao demónio e ao pecado, passando apenas a renunciar ao mal.

No rito em vigor, os responsáveis pela educação do baptizando devem responder afirmativamente a duas questões colocadas pelo ministro que preside à celebração: “Rejeita o demónio e toda a rebelião contra Deus?” e “Arrepende-se dos pecados que nos separam de Deus e do nosso próximo?”.

Com a nova terminologia, os pais e padrinhos são convidados a “rejeitar o mal, em todas as suas formas, e todas as suas promessas vazias”.

Apesar de contar com o apoio do Arcebispo de Cantuária, Justin Welby, a fórmula tem também muitos críticos. O bispo Michael Nazir Ali, de origem paquistanesa, considera que a Igreja devia explicar os conceitos difíceis em vez de os eliminar e outro bispo, Pete Broadbent, descreve o novo texto como “baptismo 'light' que não servirá”.

Os baptismos anglicanos são reconhecidos como válidos pela Igreja Católica, o que não se alterará com esta mudança no rito que não é ainda definitiva.